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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Comissão de Segurança Pública é favorável a mudanças na Lei de Execução Penal

A Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou, na reunião desta terça-feira (7/12/10), parecer favorável ao Projeto de Lei (PL) 3.814/09, que propõe mudanças na Lei de Execução Penal do Estado.

A proposição foi aprovada pelos parlamentares na forma do substitutivo nº 1 da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com as emendas nºs 1 e 2, apresentadas pelo relator da matéria, deputado Rômulo Veneroso (PV). As alterações propostas não fazem alterações de conteúdo, tendo apenas o objetivo de adequar o texto à técnica legislativa.

O PL 3.814/09 é da Comissão Especial da Execução das Penas, que fez, entre os meses de março e setembro do ano de 2009, um diagnóstico da situação carcerária do Estado. No projeto original, uma das principais mudanças versam sobre a informatização da execução penal, de modo a dar maior celeridade à progressão de pena. Além disso, obriga os estabelecimentos prisionais a oferecerem salas equipadas para a realização de videoaudiências e prestação de assistência jurídica, de modo a evitar deslocamentos e escoltas, e assegurar espaço adequado para a atuação da Defensoria Pública.

O projeto determina também que, em caso de inexistência de vaga para cumprimento de pena em regime aberto, o juiz poderá conceder prisão domiciliar, ficando facultada a imposição de monitoramento eletrônico do preso.

Outra mudança pretendida é a possibilidade de remissão de pena por estudo (que hoje só é concedida ao preso que trabalha). Acrescenta ainda mais um direito aos presos provisórios e sentenciados de receber, a cada seis meses, um atestado de pena a cumprir, para que possam ter conhecimento do tempo restante para a progressão de regime.

Alterações - A CCJ propôs mudanças ao projeto original, por meio do substitutivo nº1, que teve o intuito de corrigir vícios de inconstitucionalidade, adequar o texto à técnica legislativa e incorporar as mudanças propostas pelo PL 4.652/10, que foi anexado ao PL 3.814/09.

De autoria do deputado Durval Ângelo (PT), o PL 4.652/10 regulamenta a visita íntima nos estabelecimentos prisionais. Uma das principais mudanças propostas pelo substitutivo é a retirada da previsão de cumprimento de pena sob regime aberto em prisão domiciliar, em caso de inexistência de vagas no sistema prisional. No entendimento do relator, essa mudança é de competência privativa da União.

No que diz respeito ao monitoramento de presos por meio de tornozeleira eletrônica, o substitutivo acrescenta um novo capítulo à Lei de Execução Penal (Lei 11.404, de 1994), para regulamentar esse direito. Pelo substitutivo, o juiz poderá determinar o monitoramento eletrônico nos casos de cumprimento de pena em regime aberto e semiaberto, autorização de saída temporária, prisão domiciliar, livramento condicional ou suspensão condicional de pena. O novo texto também regulamenta os deveres do sentenciado submetido ao monitoramento eletrônico, as punições para aqueles que descumprirem esses deveres e os casos em que o benefício pode ser revogado.

Além disso, o substitutivo retira do texto original a previsão de redução de pena por meio do estudo, pois o Estado não tem competência para legislar sobre o assunto, no entendimento do relator. Quanto à visita íntima, o substitutivo estende esse direito aos presos provisórios e aos homossexuais. O novo texto também regulamenta os procedimentos necessários para a realização da visita íntima e os casos em que esse direito poderá ser suspenso.

Audiência pública - Ainda na reunião, foi aprovado um requerimento, de autoria da comissão, que solicita a realização de audiência pública para marcar o lançamento da publicação relativa ao Fórum Técnico Segurança Pública: Drogas, Criminalidade e Violência, realizado em agosto de 2010, na ALMG.


Fonte: ALMG

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Minas vai assinar pacto nacional contra a tortura até o final do ano


O Governo do Estado deve assinar, até o final do ano, o Plano de Ações Integradas para a Prevenção e o Combate à Tortura no Brasil (Paict), criado em 2006. O anúncio foi feito pelo secretário adjunto de Defesa Social, Robson Lucas da Silva, que participou, na tarde desta segunda-feira (22/11/10), do Debate Público Prevenção e Combate à Tortura em Minas Gerais, no Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O "pacto contra a tortura", com está sendo chamado, prevê a instalação de comitês estaduais de extinção da tortura, assim como a melhoria e o aperfeiçoamento do sistema de justiça criminal. De acordo com a Secretaria de Defesa dos Direitos Humanos da Presidência da República, 16 Estados já assinaram o termo de adesão ao Paipct

A adesão de Minas Gerais ao pacto foi cobrada pelos participantes do debate. O coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Defesa dos Direitos Humanos e de Apoio Comunitário, Rodrigo Filgueira de Oliveira, chegou a argumentar que os pontos questionados por Minas já haviam sido sanados na nova versão do plano, o que foi confirmado pelo próprio secretário adjunto. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), William Santos, chegou a sugerir que caso o Estado continuasse omisso, as instituições ligadas aos direitos humanos criassem, por si mesmas, os comitês previstos no Paict.

Robson Lucas informou que o Governo do Estado ouviu as polícias mineiras e outros órgãos de defesa para ajustar os termos do pacto à legislação e à realidade de Minas. Segundo ele, a última versão que contempla as mudanças foi enviada pela Secretaria Nacional em 1º de outubro. "Os pontos de divergências foram praticamente todos superados", afirmou. Ele completou que o Governo Federal continua disposto a ter uma conversa final para quaisquer outros ajustes necessários. O secretário ainda pontuou algumas medidas tomadas pelo governo para tentar reduzir a violência, como o fim da carceragem sob responsabilidade da Polícia Civil e a criação da própria Secretaria de Defesa Social, que está voltada à construção de políticas de maneira mais integrada.


Especialistas apontam fatores que estimulam a tortura

A falta de um monitoramento preventivo em locais de detenção como presídios e centros de internação de menores, e ainda o receio de vítimas, parentes ou mesmo agentes públicos de denunciar práticas de tortura são fatores que contribuem para a permanência dessa prática no Brasil. A análise é do promotor Rodrigo Filgueira de Oliveira. Ele enfatizou que a cultura brasileira ainda é a da reação, e não da prevenção.

Ele citou como outros fatores que contribuem para a prática da tortura a ausência de estatísticas e diagnósticos que direcionem a atuação do poder público, a ineficiência na investigação e na perícia forense, a falta de treinamento de agentes e, como consequência, o baixo índice de condenação e a sensação de impunidade. Há também, segundo Rodrigo Filgueira, uma certa tolerância da sociedade em relação à tortura praticada pelo Estado. O promotor cita pesquisa da Universidade de São Paulo, realizada em 1999, que constatou, por exemplo, que em Manaus, essa tolerância chega a 23%. "Mesmo o índice pequeno de cidades como Belo Horizonte (1%) ou Rio de Janeiro (3%) não leva à redução de casos", completa.

Já o defensor Gustavo Corgozinho, coordenador de direitos humanos da Defensoria Pública de Minas Gerais, reclamou de torturas físicas e psicológicas cometidas contra pessoas presas ou sujeitas a medidas de segurança. Ele citou que durante um trabalho de monitoramento em unidades prisionais de Minas Gerais, foram ouvidas as mais variadas denúncias de maus tratos contra os presos, como falta de água, celas superlotadas, comidas servidas com bichos, total falta de higiene, presença de roedores e animais peçonhentos, ausência de assistência médica, entre outras tantas condições que propiciam o surgimento de doenças e provocam sofrimento físico e emocional aos apenados. "O tratamento desumano ou degradante já constitui tortura", advertiu.

Corgozinho reclamou, ainda, da dificuldade que a Defensoria enfrenta em ter acesso a documentações e mesmo às unidades prisionais, e também da morosidade do governo em responder a questionamentos. Segundo ele, muitos presos denunciaram que sofriam represálias e ameaças para esconder a realidade. "Vamos abrir as portas e permitir as críticas para aperfeiçoar o sistema", sugeriu ele ao representante do Governo do Estado.


Ouvidoria apura queda em denúncias de tortura

O número de denúncias de tortura apresentadas à Ouvidoria de Polícia de Minas Gerais caiu em 2010, na comparação com os anos anteriores. É o que aponta levantamento apresentado pelo ouvidor Paulo Vaz Alkmin. Mesmo com dados parciais, até 31 de outubro, o ano de 2010 traz oito denúncias de tortura, contra 28 em 2009, 39 em 2008, 22 em 2007, 25 em 2006 e 64 em 2005. O próprio ouvidor argumenta, porém, que os números podem ter migrado para o Sistema de Defesa Social, uma vez que a guarda de presos deixou de ser tarefa da Polícia Civil e passou para a responsabilidade de agentes penitenciários.

Entre as ações preventivas realizadas pelo Ouvidoria, Paulo Alkmin citou a parceria com a Comissão de Direitos Humanos da ALMG e com o Ministério Público para acompanhamento de casos, e o trabalho de ouvidoria itinerante desenvolvido em conjunto com a Defensoria Pública. Ele avaliou ainda que a Justiça Militar não dá conta dos casos de tortura e que, muitas vezes, esses crimes são reclassificados como lesão corporal, por exemplo. "A impunidade é um dos motivos de permanência da tortura", afirmou.

Já o corregedor-geral da Polícia Civil, Geraldo de Morais Júnior, salientou que preceitos constitucionais como a dignidade humana impõem limite à ação estatal. "Assim como cabe ao Estado cuidar da segurança pública, ele é responsável também por promover a vida com dignidade para todos", afirmou. Ele ressaltou o trabalho do colegiado de corregedores, apontou para a redução de denúncias também na Corregedoria, mas salientou que todos os casos são tratados com toda a seriedade.

Revista vexatória - No encerramento, a representante do Comitê de Familiares e Amigos das Pessoas em Privação de Liberdade, Maria Teresa dos Santos, denunciou, em um depoimento emocionado e contundente, não só a tortura contra os presos, mas também "a tortura contra os familiares de presos durante as revistas vexatórias e humilhantes". Indignada, ela se disse disposta, inclusive, a tirar a roupa e reproduzir, em um próximo evento, "todos os procedimentos vexatórios" a que as mulheres são submetidas nas unidades prisionais antes de entrarem para as visitas. "Como o secretário pode aqui falar em humanização, se nesses estabelecimentos, donas de casa, senhoras e mães de família são tratadas como vagabundas e prostitutas?", indagou.

Crimélia Alice Schmidt de Almeida, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, lamentou que ainda hoje, passados tantos anos, os integrantes do grupo que representa não tenham direito aos corpos dos seus mortos nem a informações. Acrescentou que o caso foi levado à Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Brasil deverá ser condenado a esclarecer os crimes do Araguaia.

Heloísa Greco, coordenadora do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania, denunciou o sistema carcerário brasileiro como "um sistema de masmorra, medieval", acrescentando que "até incendiar presidiários é prática no Estado de Minas Gerais". Segundo ela, o Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, só perdendo para a China e os Estados Unidos, e Minas Gerais tem, hoje, em torno de 100 mil encarcerados. "O perfil dessa população é de pobres, negros, moradores de periferia e de favelas", afirmou, acrescentando que a polícia do Brasil é a que mais mata no mundo. Contradizendo os que afirmaram, durante o debate, que a polícia de Minas Gerais é exemplo e referência, indagou: "Exemplo? Só se for de marketing. Referência? Só se for de repressão".

Em suas considerações finais, o secretário Robson Lucas da Silva, justificou "o rigor das revistas" em razão do trânsito de celulares e do tráfico de drogas no interior dos presídios. E concluiu que, "considerando a realidade do orçamento e do material humano, o Estado vem alcançando resultados satisfatórios".



Fonte: ALMG / 22/11/2010

Ações mais eficazes contra tortura são defendidas em debate


Estimular a participação social e fortalecer os mecanismos de fiscalização à tortura. Essas são as principais ações apresentadas pelo diretor do Departamento de Defesa dos Direitos Humanos da Presidência da República, Fernando Antônio dos Santos Matos na abertura do Debate Público Prevenção e Combate à Tortura em Minas Gerais, na manhã desta segunda-feira (22/11/10). O evento é realizado pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e tem o objetivo de tentar sensibilizar o poder público em relação ao tema.

Fernando Matos destacou que a tortura é considerada crime inafiançável e está definida pela Lei 9.455, de 1997, que leva em consideração os atos praticados por qualquer pessoa que submeta outra a dores ou sofrimentos físicos ou mentais agudos. Matos apresentou as principais dificuldades em relação à prevenção e combate à tortura no Brasil, que remontam a cultura totalitária vivida pelo país em dois momentos históricos, o Estado Novo e a Ditadura Militar. Segundo Matos, a resistência de agentes públicos, especialmente os judiciários, o constrangimento sofrido por vítimas e seus familiares, a ausência de fiscalização e a crença de que a tortura pode estimular a obtenção de informações de suspeitos ou criminosos geram dificuldades para minimizar a prática. "Provas obtidas por meio de tortura não têm validade", lembrou Matos.

O representante da Secretaria de Direitos Humanos apresentou, ainda, os desafios para a construção de uma agenda que previna e cerceie a tortura. As alternativas propostas contam com a capacitação de agentes públicos, a criação de manuais para magistrados e membros do Ministério Público, a realização de campanhas educativas e o fortalecimento da rede de proteção às vítimas e familiares.

O doutor em Direito pela Università Degli Studi di Lecce (Itália), Virgílio de Mattos, criticou as fragilidades do atual sistema de combate à tortura. "A questão não é de ausência de regulamentação, mas de resultados práticos", defendeu. Ele afirma que muitos agentes públicos que cometem os atos são punidos por abuso de poder ou agressão e há dificuldades, entre os colegas, de investigar os casos, o que não contribui para minimizar as ocorrências. Além disso, Mattos citou a falta de defensores públicos para agir junto às denúncias. "A vontade política é de que se faça exatamente nada", salientou.

Deputado defende que Minas Gerais assine o pacto contra a tortura
Uma das ações do governo federal para controlar a prática é o Plano de Ações Integradas de Prevenção e Combate à Tortura (Paipct), criado em 2006. O plano prevê a criação de comitês estaduais de extinção da tortura, assim como a melhoria e o aperfeiçoamento do sistema de justiça criminal. De acordo com a Secretaria de Defesa dos Direitos Humanos da Presidência da República, 16 estados assinaram o termo de adesão junto ao Paipct: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Goiás, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal. Minas Gerais ainda não participa do Plano.

A assinatura do termo de adesão Paipct por Minas Gerais foi defendida pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos e autor do requerimento para realização do debate, deputado Durval Ângelo (PT). "Dos Estados que não assinaram, alguns ainda não receberam o convite formal, mas a maioria já se manifestou favoravelmente. Entretanto, Minas Gerais já recebeu o convite há três anos e meio e ainda não se manifestou favoravelmente", afirmou. O deputado destacou que o Estado já esteve para assinar o pacto por duas vezes, mas a expectativa não se realizou. Ele atribuiu o fato às resistências de alguns setores das policias civil e militar e do Tribunal de Justiça Militar.

A assinatura também foi pedida pelo defensor público e coordenador de direitos humanos da Defensoria Pública de Minas Gerais, Gustavo Corgozinho, que manifestou preocupação com o fato de o Estado ainda não ter aderido ao pacto. Já o promotor de Justiça e coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça e Defesa dos Direitos Humanos e de Apoio Comunitário (CAO/DH), Rodrigo Filgueira de Oliveira, lamentou a ausência no debate público, na parte da manhã, de representantes do Governo Estadual.
Educação - A coordenadora da Pastoral de Direitos Humanos, Emely Vieira Salazar, defendeu que o caminho da erradicação da tortura deve passar pela educação. Para ela, é fundamental que os agentes de segurança pública, por exemplo, participem de concursos de prevenção e combate à tortura. Já a coordenadora do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania, Heloísa Greco, criticou o fato de que, no final da primeira década do século XXI, ainda seja preciso discutir a implantação de medidas administrativas voltadas ao combate à tortura.

Fonte: ALMG

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Devedores de pensão ganharão unidade própria em Minas


Uma unidade prisional destinada especialmente ao acolhimento de devedores de pensão alimentícia será inaugurada, em breve, em Minas Gerais. Pioneira no Brasil, a nova unidade terá capacidade para 100 sentenciados e será instalada na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Com nome provisório de Centro de Referência para Devedores de Alimentos, o local terá um espaço de convivência e de laborterapia, onde o preso poderá trabalhar e arcar com suas responsabilidades. A informação foi divulgada esta semana pelo subsecretário de administração prisional (Suapi), da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), Genilson Ribeiro Zeferino.

A proposta para criação da nova unidade prisional é fruto de um entendimento entre a Seds, o Ministério Público (MP), o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a Defensoria Pública e o Conselho de Criminologia de Minas Gerais. De acordo com Genilson Zeferino, o próximo passo no sentido de ampliar a discussão com a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedese), parceira no projeto. “Não estamos falando de uma prisão, propriamente dita, porque não vai necessitar de uma arquitetura arrojada de segurança. Ela se baseia num espaço de convivência, onde a pessoa poderá refletir e reatar laços de convivência, principalmente com os filhos”, explica o subsecretário.


Cuidados

O número de presos em decorrência de dívida com pensão alimentícia chega a 400 em todo o Estado. Atualmente 178 deles estão sob a responsabilidade da Suapi. Na RMBH, os detidos por este tipo de crime são encaminhados ao Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) da Gameleira, ficando separados dos demais presos. O problema é que este cuidado não tem sido suficiente para evitar que sejam hostilizados. “O mau trato à família e aos filhos é visto pela população carcerária como algo muito ruim. Na lógica dos presos, quem comete este tipo de crime merece punição em dobro. Em função disso, pensamos numa unidade que possa recebê-los”, relata Genilson Zeferino.

Agentes penitenciários, assistentes sociais a funcionários administrativos já estão recebendo treinamento específico para lidar com esse tipo de público. Segundo o subsecretário, o Estado reconhece que esse não é um preso comum e que por isso demanda um tratamento diferenciado. A detenção máxima imposta aos que estão em dívida com a justiça por não pagar pensão alimentícia é de três meses. “O Estado de Minas reconhece essa particularidade e, ao invés de se preocupar apenas com o aprisionamento, quer proporcionar condições para que, ao final dessa experiência, ele não volte mais ao sistema prisional”.


Fonte: SEDS/MG

terça-feira, 2 de novembro de 2010

ALMG instala comissão do fórum de segurança pública na sexta (5/11)

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais instala, na próxima sexta-feira (5/11/10), a comissão de representação do Fórum Técnico Segurança Pública: Drogas, Criminalidade e Violência. A solenidade será às 15 horas, no Salão Nobre, e contará com a presença do presidente da ALMG, deputado Alberto Pinto Coelho, de outros parlamentares e autoridades. A comissão de representação, composta por representantes de 35 entidades e mais dois cidadãos, foi eleita durante o fórum técnico realizado entre 11 e 13 de agosto deste ano, e tem como atribuição acompanhar os desdobramentos do evento.

O trabalho desse grupo inclui a discussão e o encaminhamento, junto com a Comissão de Segurança Pública da ALMG, das 42 propostas finais do fórum técnico, que podem ser transformadas em proposições legislativas ou políticas públicas e podem ser ainda objetos de novos debates ou gestões junto a órgãos oficiais. Entre as propostas finais, a plenária do fórum priorizou 20 voltadas para a prevenção e o combate ao uso de drogas. O documento final do fórum é fruto de um amplo diagnóstico da segurança pública em todo o Estado, uma vez que o evento na ALMG foi precedido de 20 audiências públicas no interior, oito reuniões preparatórias e intensos debates nas comissões interinstitucionais e grupos de trabalho.

O fórum técnico foi realizado a requerimento da Comissão de Segurança Pública. Participaram de sua organização 67 entidades de todo o Estado. O fórum recebeu 698 inscrições de participantes, incluindo 492 representantes de 228 entidades. Pela primeira vez, um evento institucional do Legislativo mineiro abriu espaço para que os inscritos individualmente pudessem se manifestar e também votar no momento da elaboração do documento final. Dois cidadãos desse grupo integram a comissão de representação, o que reforça o compromisso da ALMG de buscar a participação também de pessoas que não têm vínculos com instituições.

Debates - Durante os três dias do fórum, autoridades, especialistas, profissionais de segurança e representantes das entidades discutiram, entre outros temas, a dimensão da malha viária e o problema das fronteiras desguarnecidas que colocam o Estado na rota do tráfico; os baixos efetivos das polícias federais e estaduais para combatê-lo; o aumento do consumo de crack como determinante do crescimento da violência; a alta taxa de infrações criminais por uso e tráfico de drogas; os esforços dos governos estadual e federal para integrar ações; e uma política comum de combate às drogas, prevenção do uso e tratamento dos dependentes.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Falta vaga e doente mental vai para rua


MP aponta 630 pessoas com transtornos envolvidas em crimes, mas só 230 encontram-se internadas em hospital.


Minas está colocando presos com problemas mentais na rua por falta de vagas em instituição psiquiátrica judiciária. Dados levantados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) mostram que, atualmente, existem cerca de 630 pessoas com transtornos envolvidas em crimes. No entanto, apenas 230 encontram-se internadas no Hospital Psiquiátrico Jorge Vaz, em Barbacena, na Região Central do Estado. Outros 210 dividem espaço com detentos comuns em cadeias públicas. O restante foi liberado.

O coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias Criminais, de Execução, do Tribunal do Júri e da Auditoria Militar, do MPMG, Joaquim José Miranda, admite a gravidade da situação. “Muitos cometeram delitos hediondos, como estupro ou homicídio, e ainda oferecem risco à sociedade”, pondera.

O promotor também alerta para a presença de sentenciados em cadeias públicas. Miranda enfatiza que, por serem deficientes mentais, os cidadãos não poderiam cumprir pena e sequer ocupar a cela de uma prisão. “O convívio conflituoso entre eles e os presos geram agressões mútuas. Há até casos de mutilação”, relatou, mencionando que estas pessoas fazem uso de medicamentos controlados e precisam de acompanhamento constante.

Na quinta-feira (28), Miranda se reúne com autoridades prisionais para discutir o quadro. Ele defende a abertura de leitos em hospitais judiciários, que priorizem o tratamento humanizado. “O Jorge Vaz presta serviços de alto nível. Os psicólogos, terapeutas e demais profissionais têm tido sucesso no trabalho de recuperação dos sentenciados”, elogia o representante do MP.

O psiquiatra forense e criminal, Paulo Roberto Repsold, destaca a complexidade do problema pelo fato de a demanda superar a oferta. Para o médico, pessoas portadoras de doenças controláveis não deveriam ser mantidas internadas. “Diagnosticada a viabilidade da volta ao meio social, aconselho o atendimento na rede pública de saúde, ao lado dos familiares”, comenta.

Repsold lembra que se um juiz atestou o laudo de deficiência mental do cidadão e determinou a medida de segurança é porque o criminoso não entende o que fez. “A internação efetiva torna-se necessária quando traços da personalidade do paciente apresentam comportamentos psicopáticos. O descontrole e o prazer da conduta violenta se evidenciam”, diz o psiquiatra.

Segundo o especialista, somente o risco de reincidência atesta a permanência nos hospitais judiciários. A lei federal 10.216/2001 determina esta mesma posição ao incentivar a internação no momento em que os “recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes”.


Secretaria de Defesa Social atualiza listagem

A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) providencia, em conjunto com o Tribunal de Justiça de Minas, a avaliação individual de todos os presos, além de lhes garantir assistência jurídica, clínica e social. Em dois meses, os órgãos esperam finalizar a listagem e encaminhar pacientes a abrigos públicos e a leitos da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). Hospitais e instituições médicas, como o Instituto Raul Soares, na capital, já disponibilizam e recebem pacientes.

Joaquim José Mirada, promotor do Ministério Público de Minas aprova a iniciativa, pois certas famílias não aceitam mais os sentenciados. “Alguns crimes possuem relação com indivíduos próximos, e existe a rejeição. O Governo tem mesmo de investir na abertura de residências terapêuticas para assistí-los. Assim, sobrariam vagas no Hospital Psiquiátrico e Judiciário de Barbacena”, analisa Miranda.



Fonte: Jornal Hoje Em Dia - 28/10/2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

PT e PSDB descumprem metas de vagas em prisões


Nem o governo federal, de Dilma Rousseff (PT), nem o governo paulista, de José Serra (PSDB), conseguiram cumprir suas próprias metas de ampliação de vagas em presídios nos últimos anos.

Em 2007, o Ministério da Justiça lançou o programa Pronasci, que previa verbas federais para que os Estados construíssem 46,4 mil vagas, até 2012, em presídios para homens de até 29 anos e em presídios para mulheres.

Até agora, entretanto, foi acertada com os Estados a construção de apenas 6.736 vagas em 16 novos presídios (14,5% das vagas previstas), sem data para ficar prontas.

Diante da dificuldade para executar o plano, o governo federal abandonou a meta.

"Isso ocorre por causa de dificuldades enfrentadas pelos Estados", diz Glaucia Elaine de Paula, chefe de gabinete do ministro da Justiça.

Segundo ela, as dificuldades mais comuns são três: 1) os municípios não aceitam abrigar presídio, 2) os Estados têm dificuldade para contratar agentes penitenciários e 3) os Estados não conseguem apresentar todos os alvarás e licenças necessários para erguer um presídio.

Além do programa Pronasci, o Ministério da Justiça libera dinheiro para novos presídios seguindo a demanda apresentada pelos Estados. É preciso haver contrapartida estadual.

"Dinheiro [federal] não falta", afirma a chefe de gabinete, acrescentando que o governo federal investe também em programas de reinserção social de presos e já aprovou a construção, no DF, do quinto presídio federal de segurança máxima.


SÃO PAULO

Em São Paulo, o governo previa construir 37.370 vagas entre 2008 e 2011. Entregou até agora 3.872 e promete fechar o ano com 6.456 vagas entregues (17,27% da meta).

Diz que outras sete unidades estão em construção, com mais 5.600 vagas, mas não há previsão de término. E que há R$ 1,5 bilhão para a "construção de 49 unidades", também sem data para entrega. Aponta resistência de prefeitos como obstáculo.

"O andamento e a implantação desse projeto tem encontrado forte resistência, especialmente das prefeituras comandadas pelo PT", diz o Estado, por nota.

Apesar da superlotação, SP diz ter "a situação penitenciária estável" e aponta falta de diálogo do governo federal com os Estados.

"Desde a posse do diretor Airton Michels [do Departamento Penitenciário Nacional], em 2008, houve apenas uma reunião com secretários estaduais para tratar do sistema prisional, diz a nota.

Isso, continua o governo paulista, "acarretou na falta de articulação para barrar a expansão e nacionalização do crime organizado."

Fonte: Folha Poder - UOL - 18/10/2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010



Evento de fundamental importância para os profissionais da psicologia que atuam dentro do Sistema Penitenciário Brasileiro.

Afinal, a psicologia está "a serviço da repressão ou da garantia de direitos"?

Qual a psicologia que temos e a psicologia que queremos ?!... a psicologia da transformação social ou aquela outra da "rotulação", do "etiquetamento" e da manutenção do "status quo" ?!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Brasil já tem a terceira maior população carcerária do mundo

Com 494.598 presos, o Brasil possui a terceira maior população carcerária do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China. O dado foi apresentado nesta quinta-feira (23/09) no Seminário Justiça em Números pelo coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (DMF) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Luciano Losekann. O juiz criticou a forma como a Justiça Criminal é tratada dentro do Judiciário brasileiro, “como o primo pobre da jurisdição”. “É uma área negligenciada, sobretudo pela Justiça Estadual. Os tribunais precisam planejar de forma mais efetiva o funcionamento da Justiça Criminal”, afirmou. Clique aqui para ver a apresentação na íntegra.


Nos últimos cinco anos, o número de pessoas presas no Brasil aumentou 37%, o que representa 133.196 pessoas a mais nas penitenciárias. Losekann chamou atenção para o elevado número de presos provisórios existentes no país, 44% no total, segundo dados do Ministério da Justiça. Isso significa que 219.274 pessoas aguardam na prisão o julgamento de seus processos. “O uso excessivo da prisão provisória no Brasil como uma espécie de antecipação da pena é uma realidade que nos preocupa. Os juízes precisam ser mais criteriosos no uso da prisão provisória”, afirmou o coordenador do DMF.


A superlotação nas unidades prisionais foi outro ponto destacado pelo juiz. A taxa de ocupação dos presídios brasileiros é de 1,65 preso por vaga, o que deixa o país atrás apenas da Bolívia, cuja taxa é de 1,66. “A situação nos presídios levou o Brasil a ser denunciado em organismos internacionais. Falta uma política penitenciária séria”, enfatizou Losekann. São Paulo é o estado com maior quantidade de encarcerados, seguido de Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.


Diante da insuficiência de vagas nas unidades prisionais, 57.195 pessoas estão cumprindo pena em delegacias, que não contam com infraestrutura adequada. Uma das ações prioritárias estabelecidas este ano para o Judiciário pelos 91 presidentes de tribunais é a de reduzir a zero o número de presos em delegacias. Ao traçar o perfil dos detentos brasileiros, Losekann destacou o tráfico de drogas responde por 22% dos crimes cometidos pelos presidiários. Entre as mulheres esse índice sobre para 60%.


Fonte: Agência CNJ

População carcerária em Minas cresce 41% em 5 anos


Onde deveriam estar, no máximo, cem presos, há 65 a mais. Crescimento do número de presos no Estado superou o registrado no mesmo período em todo o país

A população carcerária em Minas Gerais aumentou 41% nos últimos 5 anos, levando o Estado ao segundo lugar do ranking de presos, só superado por São Paulo. Em 2006, 34.833 detentos estavam reclusos em penitenciárias, presídios e delegacias de polícia.

Até setembro de 2010, de acordo com levantamento divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), este número subiu para 49.137 presos. Desses, 65% aguardam serem julgados pela Justiça. O que preocupa especialistas é a superlotação.

O estudo indicou que a taxa de ocupação dos presídios no país é de 1,65 por vaga. Isso significa que, onde poderiam estar 100 presos, há 65 a mais que o recomendado. O crescimento da população carcerária mineira superou o registrado no mesmo período em todo o país.

O coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (DMF) do CNJ, juiz Luciano Losekann, apontou que, nos últimos cinco anos, o número de pessoas presas no Brasil aumentou 37%, o que representa 133.196 pessoas a mais nas penitenciárias.

A consequência imediata foi a lotação. Que o diga o ajudante de cromador Bruno Charles da Silva, 25 anos. Condenado por assalto à mão armada, ele cumpriu um ano e quatro meses de pena, inicialmente, na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, e depois na Inspetor José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves, ambas na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Livre da cadeia em dezembro do ano passado, Silva teve que dividir uma cela com mais 24 pessoas na segunda unidade prisional. O espaço, segundo ele, comportava somente seis. “Dormíamos no chão, às vezes, até dividíamos o colchão. Na outra unidade, eram somente quatro”, relembra.

A Subsecretaria de Assuntos Penitenciários (Suapi) credita o aumento de presos à ação conjunta das polícias Civil e Militar. “Em Belo Horizonte, a cada final de semana, temos 35 pessoas presas. Dessas, em média, 23 seguem para unidades prisionais”, afirma o subsecretárioGenilson Ribeiro Zeferino.

O subsecretário não soube informar o déficit de vagas nas penitenciárias do Estado. Porém, levantamento do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) aponta que faltam 18.736 lugares para os detentos. A construção de um presídio em Ribeirão das Neves, até 2012, deverá abrir mais 3 mil vagas.

Para o professor Robson Sávio, pesquisador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp), da UFMG, a situação é preocupante. “Estamos atrelados a uma cultura de que todos que praticaram crimes devem ser presos, o que deveria acontecer somente para quem oferece risco social”, diz.

O pesquisador enfatiza que, no país, a grande maioria dos aprisionados cometeu crimes contra o patrimônio, como furto ou roubo. “E apenas 8% dos homicidas estão nas cadeias”, diz. Em casos de delitos de menor poder ofensivo, com penas de até 4 anos, Sávio defende a restrição de certos direitos ou o pagamento de valores estipulados pelo juiz. “São ações para desafogar os presídios e evitar que o preso saia pior, praticando crimes mais graves”, diz.


32 mil estão presos sem julgamento

A morosidade da Justiça e a falta de defensores públicos são fatores que contribuem para o alto número de presos provisórios no Estado. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, cerca de 32 mil aguardam julgamento do processo. “De cada 100 detentos, 70 já poderiam estar nas ruas, seja por relaxamento de prisão, seja por liberdade provisória.

Muitos, depois de julgados, deverão ser absolvidos ou terão a pena revertida em prestação de serviços comunitários ou pagamento de multa”, observa o defensor público Bruno Barcala Reis, do Núcleo de Urgências Criminais de Belo Horizonte.

Barcala destaca, ainda, o déficit de defensores para atender acautelados que não podem pagar um advogado particular. A situação é mais crítica no interior de Minas, onde pelo menos metade dos municípios não tem defensoria pública. “Minas deveria ter 1.200 profissionais, mas o quadro de pessoal conta com apenas 450. E ainda temos que conviver com os pedidos de exoneração. Em média, a cada 12 dias, um defensor pede para sair para assumir outro cargo público”, diz.

Mesmo tendo o filho Ítalo Santos, 25 anos, esperado preso, durante quatro meses, o julgamento por assalto à mão armada, a presidente do Grupo de Amigos e Familiares de Pessoas Privadas de Liberdade, Maria Tereza dos Santos, considera que ele não esperou muito tempo. “Tem pessoas que ficam presas anos, provisoriamente, sem nenhum benefício. Meu filho ainda foi beneficiado com a agilidade da Justiça”, avalia.

Segundo o subsecretário Genilson Zeferino, os aprisionados provisoriamente não têm direito de estudar, trabalhar ou à remissão de pena, benefícios concedidos somente aos condenados.

Fonte: Jornal Hoje Em Dia - 30/09/2010

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Audiência pública vai definir indulto natalino


O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) realizará, na próxima segunda-feira (30), uma audiência pública para discutir a nova proposta de indulto natalino.

O encontro, aberto ao público, contará com a presença de autoridades do Ministério Público, Defensoria Pública e Pastoral Carcerária, dentre outras.

Até o dia 30 de julho, o Conselho recebeu 96 sugestões da sociedade sobre os critérios para a concessão do indulto natalino. O objetivo da audiência é discutir as ideias recebidas com os agentes de execução penal.

A nova proposta será avaliada pelo ministro da Justiça antes de ser encaminhada à Presidência da República.

Indulto natalino

Como parte de uma tradição, todo final de ano o Presidente da República publica um decreto com os critérios da concessão de indulto aos presos. Com a aplicação do último decreto, de 22 de dezembro de 2009, a previsão é de que cerca de 4.500 presos ganhem a liberdade ao longo desse ano.


Fonte: DEPEN - Departamento Penitenciário Nacional

Comissão do Senado aprova remição de pena por estudo


Brasília, 04/08/10 (MJ) – O preso que decidir estudar poderá ter sua pena reduzida, de acordo com projeto aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal nesta quarta-feira (4). A medida reduz um dia de privação de liberdade a cada 12 horas de frequência escolar.

No Brasil, cerca de 10% da população carcerária participa de algum tipo de atividade educacional. “Atualmente, a legislação só permite a remição de pena pelo trabalho, mas a reintegração de um indivíduo à sociedade também pode ser feita pelo estudo”, afirma o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Felipe de Paula. Segundo o secretário, a iniciativa é um avanço importante em termos de execução penal.

A Lei da Execução Penal já beneficia presos que trabalham, prevendo um dia a menos de encarceramento a cada três dias de trabalho. A mudança na lei levará em conta a atividade de ensino fundamental, médio, profissionalizante, superior, ou ainda de requalificação profissional. A atividade poderá ser desenvolvida de forma presencial ou a distância.

No caso de conclusão do Ensino Fundamental, Médio ou Superior durante o cumprimento da pena, o tempo de encarceramento a ser reduzido pode ser acrescido de um terço.

“Viabilizar o estudo do preso é seguramente uma das formas mais importantes de aproveitar seu tempo ocioso com possibilidade de efetivo trabalho ressocializador. Muitas vezes, inclusive, suprindo uma carência que ele traz consigo da vida livre”, avalia o diretor-geral do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Airton Michels.


Fonte: Ministério da Justiça

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Conselho Nacional de Segurança Pública divulga candidatos à eleição


Brasília, 02/08/10 (MJ) – O Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp) divulgou neste domingo (1) a lista das entidades da sociedade civil que vão participar da eleição dos membros do Conselho.

A eleição dos novos conselheiros do Conasp acontece no dia 30 de agosto, em Brasília, e seus eleitores poderão votar presencialmente ou a distância para o mandato 2010-2012. Entidades, fóruns, redes e movimentos sociais de nove estados, além do Distrito Federal, estão concorrendo para integrar o Conselho, sendo 40 instituições eleitoras e candidatas e 12 somente eleitoras.

Essa é a primeira vez que o Conasp terá representantes eleitos da sociedade civil. A reestruturação do Conselho foi definida durante a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, realizada em agosto de 2009.



Conheça as entidades candidatas e eleitoras


TRABALHADOR:


Agentes de Polícia Federal e Polícia Civil estadual ou distrital
Federação Nacional dos Policiais Federais - FENAPEF
Confederação Brasilieira dos Trabalhadores Policiais Civis - COBRAPOL
Associação Nacional dos Servidores da Polícia Federal - ANSEF
Federação Interestadual dos Policiais Civis - FEIPOL
Delegados de Polícia Federal e Polícia Civil estadual ou distrital
*Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal - ADPF
*Associação dos Delegados de Policia do Brasil - ADEPOL
Membros da Polícia Rodoviária Federal
Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais - FENAPRF
Oficiais Policiais e Bombeiros Militares estadual ou distrital
Associação dos Oficiais Militares Estaduais do Brasil - AMEBRASIL
Federação Nacional de Entidades de Oficiais Militares Estaduais - FENEME
Papiloscopistas federal, estadual ou distrital
Federação dos Profissionais em Papiloscopia e Identificação - FENAPPI
Peritos Oficiais Criminais federal, estadual ou distrital
Associação Brasileira de Medicina Legal - ABML
*Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais - APCF
*Associação Brasileira de Criminalística - ABC
Integrantes das Guardas Municipais
Nenhuma Candidatura Habilitada
Praças Policiais e Bombeiros Militares estaduais ou distritais
Associação Nacional de Entidades de Praças Militares Estaduais - ANASPRA
Agentes Penitenciários vinculados a qualquer dos entes da Federação
Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná - SINDARSPEN
Sindicato dos Agentes Penitenciários Federais - SINDAPEF




SOCIEDADE CIVIL:


Guayí - Democracia, Participação e Solidariedade
Fundação Cidade da Paz - UNIPAZ - DF
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC
Viva Rio
Viva Comunidade
Instituto de Defesa dos Direitos Humanos - IDDEHA
Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB
Pastoral Carcerária Nacional - ASAAC
Instituto Brasileiro de Ciências Criminais - IBCCRIM
Grande Oriente do Brasil - GOB
Instituto Movimento Rio de Combate ao Crime - MOVRIO
Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares - GAJOP
Instituto Sou da Paz
Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo - CSDDH
FASE - Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional
*Instituto de Estudos da Religião - ISER
*Instituto de Estudos Socioeconômicos - INESC
Conselho Federal de Psicologia
Associação de Direitos Humanos em Rede - CONECTAS
Dom da Terra
*Observatório de Favelas do Rio de Janeiro
*Redes de Desenvolvimento da Maré
Centro Feminista de Estudos e Assessoria - CFEMEA
Sociedade Maranhense de Direitos Humanos - SMDH


Fórum, Redes e Movimentos Sociais:


Fórum Nacional de Mulheres Negras - FNMN
Movimento Nacional de Direitos Humanos -MNDH
Fórum Brasileiro de Segurança Pública - FBSP
*Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais - ABONG
*Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos - FENDH
Rede Desarma Brasil
Fórum Nacional de Juventude Negra -FONAJUNE
Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT
Plataforma Dhesca Brasil
Coletivo de Entidades Negras - CEN Brasil
Rede Afro LGBT - Rede Nacional de Negras e Negros Lébiscas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais
Rede de Comunidades e Movimento Contra Violência

* Candidatos que compartilham cadeiras

terça-feira, 27 de julho de 2010

Atuação do Psicólogo no Sistema Penal


RESOLUÇÃO CFP Nº 009/2010
Regulamenta a atuação do psicólogo no sistema prisional.


O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso de suas atribuições legais e regimentais, que lhe são conferidas pela Lei n° 5.766, de 20/12/1971;

CONSIDERANDO o disposto no Art. 6º, letra “c”, da Lei n° 5.766 de 20/12/1971, e o Art. 6º, inciso V, do Decreto n° 79.822 de 17/6/1977;

CONSIDERANDO que a Constituição Federal. em seu Art. 196, bem como os princípios e diretrizes preconizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), definem que a saúde é direito de todos e dever do Estado;
CONSIDERANDO as Regras Mínimas para Tratamento do Preso no Brasil (Resolução nº 14 de 11/11/1994), resultante da recomendação do Comitê Permanente de Prevenção do Crime e Justiça Penal da ONU, que estabelece em seu Art. 15 a assistência psicológica como direito da pessoa presa;

CONSIDERANDO publicação elaborada pelo Ministério da Justiça, Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e o Conselho Federal de Psicologia (CFP): “Diretrizes para atuação e formação dos psicólogos do sistema prisional brasileiro”;
CONSIDERANDO que as questões relativas ao encarceramento devem ser compreendidas em sua complexidade e como um processo que engendra a marginalização e a exclusão social;

CONSIDERANDO que a Psicologia, como Ciência e Profissão, posiciona-se pelo compromisso social da categoria em relação às proposições alternativas à pena privativa de liberdade, além de fortalecer a luta pela garantia de direitos humanos nas instituições em que há privação de liberdade;

CONSIDERANDO os princípios éticos fundamentais que norteiam a atividade profissional do psicólogo contidos no Código de Ética Profissional do Psicólogo;

CONSIDERANDO que os psicólogos atuarão segundo os princípios éticos da profissão, notadamente aqueles que se fundamentam no respeito e na promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, conforme a Declaração Universal dos Direitos Humanos;

CONSIDERANDO o processo de profícua interlocução com a categoria, e com o objetivo de produzir referências técnicas para a prática profissional do psicólogo no sistema prisional;

CONSIDERANDO a necessidade de referências para subsidiar a atuação do psicólogo no sistema prisional e a produção qualificada de documentos escritos decorrentes de sua intervenção;

CONSIDERANDO decisão deste Plenário em reunião realizada no dia 18 de junho de 2010.



RESOLVE:

Art. 1º. Em todas as práticas no sistema prisional, o psicólogo deverá respeitar e promover:
a) Os direitos humanos dos sujeitos em privação de liberdade, atuando em âmbito institucional e interdisciplinar;
b) Processos de construção da cidadania, em contraposição à cultura de primazia da segurança, de vingança social e de disciplinarização do indivíduo;
c) Desconstrução do conceito de que o crime está relacionado unicamente à patologia ou à história individual, enfatizando os dispositivos sociais que promovem o processo de criminalização;
d) A construção de estratégias que visem ao fortalecimento dos laços sociais e uma participação maior dos sujeitos por meio de projetos interdisciplinares que tenham por objetivo o resgate da cidadania e a inserção na sociedade extramuros.

Art. 2º. Em relação à atuação com a população em privação de liberdade ou em medida de segurança, o psicólogo deverá:
a) Compreender os sujeitos na sua totalidade histórica, social, cultural, humana e emocional;
b) Promover práticas que potencializem a vida em liberdade, de modo a construir e fortalecer dispositivos que estimulem a autonomia e a expressão da individualidade dos envolvidos no atendimento;
c) Construir dispositivos de superação das lógicas maniqueístas que atuam na instituição e na sociedade, principalmente com relação a projetos de saúde e reintegração social;
d) Atuar na promoção de saúde mental, a partir dos pressupostos antimanicomiais, tendo como referência fundamental a Lei da Reforma Psiquiátrica, Lei n° 10.216/2001, visando a favorecer a criação ou o fortalecimento dos laços sociais e comunitários e a atenção integral;
e) Desenvolver e participar da construção de redes nos serviços públicos de saúde/saúde mental para as pessoas em cumprimento de pena (privativa de liberdade e restritiva de direitos), bem como de medidas de segurança;
f) Ter autonomia teórica, técnica e metodológica, de acordo com os princípios ético-políticos que norteiam a profissão.

Art. 3º. Em relação à atuação como gestor, o psicólogo deverá:
a) Considerar as políticas públicas, principalmente no tocante à saúde, assistência social e direitos humanos no sistema prisional, nas propostas e projetos a ser implementados no contexto prisional;
b) Contribuir na elaboração e proposição de modelos de atuação que combatam a culpabilização do indivíduo, a exclusão social e mecanismos coercitivos e punitivos;
c) Promover ações que facilitem as relações de articulação interpessoal, intersetorial e interinstitucional;
d) Considerar que as atribuições administrativas do cargo ocupado na gestão não se sobrepõem às determinações contidas no Código de Ética Profissional.

Art. 4º. Em relação à elaboração de documentos escritos:
a) Conforme indicado nos Art. 6º e 112º da Lei n° 10.792/2003 (que alterou a Lei n° 7.210/1984), é vedado ao psicólogo que atua nos estabelecimentos prisionais realizar exame criminológico e participar de ações e/ou decisões que envolvam práticas de caráter punitivo e disciplinar, bem como documento escrito oriundo da avaliação psicológica com fins de subsidiar decisão judicial durante a execução da pena do sentenciado;
b) O psicólogo, respaldado pela Lei n° 10792/2003, em sua atividade no sistema prisional somente deverá realizar atividades avaliativas com vistas à individualização da pena quando do ingresso do apenado no sistema prisional. Quando houver determinação judicial, o psicólogo deve explicitar os limites éticos de sua atuação ao juízo e poderá elaborar uma declaração conforme o Parágrafo Único.
Parágrafo Único. A declaração é um documento objetivo, informativo e resumido, com foco na análise contextual da situação vivenciada pelo sujeito na instituição e nos projetos terapêuticos por ele experienciados durante a execução da pena.

Art. 5º. Na atuação com outros segmentos ou áreas, o psicólogo deverá:
a) Visar à reconstrução de laços comunitários, sociais e familiares no atendimento a egressos e familiares daqueles que ainda estão em privação de liberdade;
b) Atentar para os limites que se impõem à realização de atendimentos a colegas de trabalho, sendo seu dever apontar a incompatibilidade de papéis ao ser convocado a assumir tal responsabilidade.

Art. 6º. Toda e qualquer atividade psicológica no sistema prisional deverá seguir os itens determinados nesta resolução.
Parágrafo Único – A não observância da presente norma constitui falta ético-disciplinar, passível de capitulação nos dispositivos referentes ao exercício profissional do Código de Ética Profissional do Psicólogo, sem prejuízo de outros que possam ser arguidos.

Art. 7º. Esta resolução entrará em vigor na data de sua publicação.

Art. 8º. Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 29 de junho de 2010.
ANA MARIA PEREIRA LOPES
Conselheira-Presidente

sábado, 24 de julho de 2010



Inscrições estão abertasAs inscrições para a etapa final do Fórum Técnico Segurança Pública: Drogas, criminalidade e violência estão abertas desde segunda-feira (19). Entidades interessadas podem fazer inscrições institucionais até 3 de agosto, aqui no hotsite. As inscrições individuais estão suspensas temporariamente. Mais informações podem ser obtidas no Centro de Atendimento ao Cidadão (CAC) da Assembleia, pelo telefone (31) 2108-7800; pelo e-mail cac@almg.gov.br, ou pessoalmente (Rua Rodrigues Caldas, 30, bairro Santo Agostinho).


Fórum Técnico sobre segurança foca o problema das drogas como potencializador da violência A Assembleia de Minas promove com 67 entidades parceiras, de 11 a 13 de agosto próximos, o Fórum Técnico Segurança Pública: Drogas, Criminalidade e Violência, tomando como partida a questão do avanço das drogas, do tráfico e do crime organizado, que tem intensificado os problemas da criminalidade e da violência.

O evento vai reunir na ALMG representantes dos três níveis de governo, sociedade, especialistas, comunidades terapêuticas, profissionais, parlamentares e instituições públicas de áreas como saúde, educação, esporte e assistência social, entre outros.

A discussão sobre a droga como potencializadora da criminalidade e da violência terá como resultado a aprovação de um conjunto de propostas, que deverá subsidiar as ações de todos os segmentos envolvidos. A abordagem do tema é intersetorial, envolvendo prevenção, repressão e tratamento dos usuários.

O ponto de partida do fórum técnico foram 20 audiências promovidas pela Comissão de Segurança Pública da Assembleia nas 18 Regiões Integradas de Segurança Pública (Risps), consideradas a etapa de interiorização do evento. O produto desse trabalho será acrescido de outras sugestões, ao longo de um processo cuja dinâmica é democratizar o debate, a formulação e o acompanhamento de políticas públicas.

Os grandes objetivos do fórum técnico:
Refletir sobre os resultados das audiências da Comissão de Segurança Pública no interior Discutir os desafios impostos pela criminalidade, em especial pelo crime organizado e pelo tráfico de drogas Discutir as políticas de prevenção à criminalidade e ao uso de drogas sob a perspectiva da intersetorialidade com outras políticas públicas Avaliar as políticas públicas de tratamento da dependência química, refletindo sobre as possibilidades de interface com a experiência das comunidades terapêuticas e de outras iniciativas desenvolvidas pela sociedade civil
Discutir a vitimização de grupos sociais vulneráveis às diversas formas de violência

segunda-feira, 28 de junho de 2010

CNPCP recebe sugestões para elaborar proposta de indulto natalino 2010

O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) instituiu, na última sexta-feira (28/05/10), a comissão responsável pela elaboração da proposta de indulto natalino.

Até o dia 30 de julho, a comissão vai receber sugestões da sociedade para elaborar a nova proposta, que será avaliada pelo ministro da Justiça antes de ser encaminhada à Presidência da República. Qualquer pessoa ou instituição pode sugerir critérios para a concessão do indulto.

As colaborações podem ser enviadas ou entregues na secretaria do CNPCP - Ministério da Justiça, edifício Sede, 3º andar, sala 303, Esplanada dos Ministérios, CEP 70.064-900, Brasília (DF) - ou enviadas por correio eletrônico para jussara.ribeiro@mj.gov.br.

Após a avaliação das sugestões, o CNPCP vai convocar uma audiência pública para debater a questão. A comissão é composta pelo presidente do Conselho, Geder Luiz Rocha Gomes e pelos conselheiros Rodrigo Duque Estrada, José de Almeida Carneiro, Fernando Braga Viggiano e Renato Flávio Marcão.

Indulto natalino

Como parte de uma tradição, todo final de ano o Presidente da República publica um decreto com os critérios da concessão de indulto aos presos. Com a aplicação do último decreto, de 22 de dezembro de 2009, a previsão é de que cerca de 4.500 presos ganhem a liberdade ao longo desse ano.


Fonte: Ministério da Justiça

Dilma defende mais presídios de segurança máxima

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse hoje ser a favor da construção de novos presídios de segurança máxima. "Acho que tem de ser construídos mais presídios de alta periculosidade, tantos quanto forem necessários", afirmou, durante o programa "Roda Vida", transmitido ao vivo pela internet e que será exibido às 22h pela TV Cultura. "Não acho que a gente tenha de negociar com o crime", declarou.


Dilma disse, porém, que não basta fazer novos presídios, uma vez que os Estados que possuem prisões desse tipo resistem a receber os presidiários considerados mais perigosos. "Fizemos quatro novos presídios, cada um 250 vagas, e durante muito tempo tivemos dificuldade de ocupá-los porque existia resistência dos Estados", justificou.


Na avaliação dela, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), implantadas em favelas do Rio de Janeiro, são uma concepção adequada de política de segurança pública. "A grande característica desse projeto é perceber que o crime ocupa um território, se estabelece nele e passa a ser um poder paralelo ao do Estado", afirmou.


De acordo com ela, o ideal é combinar essa política a uma ação repressiva e de afirmação da autoridade. "É necessário que o Estado volte para locais de onde tinha se afastado, volte a investir em habitação e saneamento básico", afirmou.


Ela também defendeu o trabalho da Força Nacional de Segurança Pública. "O Exército não é especializado em fazer segurança pública", opinou.


Fonte: Agência Estado

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Tornozeleira eletrônica pode trazer economia ao sistema prisional


Minas Gerais pode economizar 77,8% com o sistema prisional se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionar o Projeto de Lei 175/2007, aprovado mês passado pelo Senado, que altera o Código Penal e a Lei de Execução Penal e regulamenta o uso de tornozeleiras ou pulseiras eletrônicas em detentos. Se o estado mandar para casa os 5 mil condenados por crimes de pequeno potencial, em regime aberto e semiaberto, o custo mensal com cada preso, que atualmente é de R$ 1,8 mil, cai para R$ 400. Os gastos mensais com os 5mil presos cairiam de R$ 9 milhões para R$ 2 milhões.

O presidente Lula tem 15 dias úteis, a partir de 27 de maio, para sancionar a matéria ou vetar parcialmente ou totalmente a lei. Além da economia para os cofres públicos, a medida também vai reduzir a superlotação dos presídios. Para o presidente da Comissão de Assuntos Penitenciários da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Minas Gerais (OAB-MG), Adilson Geraldo Rocha, a medida também vai diminuir a violência.

De acordo com o advogado, a OAB-MG é totalmente favorável à implantação da tornozeleira eletrônica. Há 15 dias, ele e o presidente da Ordem, Luís Cláudio Chaves, estiveram reunidos com o desembargador Roney Oliveira, do Tribunal de Justiça de Minas, discutindo a implantação dos equipamentos. Em 2008 e 2009, segundo ele, Minas testou tornozeleiras em presos dos regimes semiaberto e aberto, e toda a sistemática da execução penal foi aprovada.

Em 2009, Minas iniciou o procedimento de licitação para aquisição de 5 mil tornozeleiras, mas foi embargado, por meio de um mandado de segurança impetrado por uma das empresas interessadas em fornecer os equipamentos. "Essa empresa alegou problemas administrativos técnicos quanto ao procedimento licitatório. Isso fez com o que o desembargador Roney Oliveira, que foi o relator desse mandado de segurança, suspendesse o a licitação", disse Adilson Rocha. A visita dele e do presidente da OAB-MG ao TJMG foi para pedir um interesse maior no julgamento desse mandado de segurança, considerando que a implantação da tornozeleira eletrônica é de interesse da sociedade e do estado, e que tem total apoio da OAB-MG, disse Adilson.

O advogado esclarece que são três modelos de condenação: fechado, semiaberto e aberto. "O regime fechado é para aquelas pessoas que oferecem perigo à sociedade. O semiaberto é para aquele que está numa situação intermediária, podendo ser, ou não, perigoso. Já os condenado em regime aberto é aquele que não oferece perigo à sociedade", disse Adilson.

Dos mais de 40 mil presos em Minas, segundo ele, aproximadamente 1,8 mil são condenados no regime aberto e, na opinião do advogado, ocupam vagas daqueles que poderiam efetivamente estar presos, condenados em regime fechado.


Fonte: Jornal Estado de Minas - 14/06/2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

Quase 25 mil criminosos estão soltos em Minas


Acusados de homicídio, traficantes e pessoas que devem pensão alimentícia não são encontrados pela polícia


Minas Gerais tem 24.955 pessoas com mandados de prisão expedidos pela Justiça e que não são encontradas pela polícia. O número de foragidos representa a metade da população carcerária do Estado. Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil, o número de mandados em aberto é grande por falta de efetivo da polícia para localizar os presos. A maior parte das ordens de prisão é contra traficantes, acusados de homicídios e pessoas que devem pensão alimentícia.


Entre as dez maiores cidades do Estado, Paracatu, no Noroeste, tem o maior número de foragidos em relação à população municipal: um para cada grupo de 195 moradores. Segundo o Tribunal de Justiça, o município de 83 mil habitantes e 424 foragidos. Enquanto isso, em Belo Horizonte são 2.070 mandados de prisão sem cumprir, uma média de um foragido para 1.176 habitantes.

Até o final de abril de 2009 o Tribunal de Justiça de Minas tinha 30 mil mandados de prisão em aberto. Para a diretora de Comunicação da Associação dos Magistrados de Minas Gerais (Amagis), juíza Rosimere das Graças do Couto, a maioria dos mandados é de prisões temporárias e preventivas. No setor de inquéritos das 12 varas criminais do Fórum Lafayette, onde a juíza trabalha, são cerca de 26 mil processos. “Nos últimos anos, a polícia tem prendido mais, mas muitas pessoas que estão na lista de foragidos não são encontradas pelo fato de o endereço estar errado ou por mudarem para outro Estado”, constatou.

Segundo a direção nacional da OAB, no Brasil são cerca de 350 mil foragidos da Justiça. O déficit de vagas nas prisões é de cerca de 90 mil. O advogado Bruno Marçal Aguiar, especialista em processo de pensão alimentícia, em algumas cidades, como Governador Valadares, no Leste do Estado, onde são 808 foragidos, há várias pessoas morando clandestinamente nos Estados Unidos, motivo de não terem como ser localizadas pela polícia. “Há vários mandados de prisão temporária, que valem cinco dias, acabam perdendo a validade, mas não saem do banco de dados da polícia”, disse.


Fonte: Jornal Hoje Em Dia - 27/05/2010

CNPCP recebe sugestões para elaborar proposta de indulto natalino

O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) instituiu, na última sexta-feira (28), a comissão responsável pela elaboração da proposta de indulto natalino.

Até o dia 30 de julho, a comissão vai receber sugestões da sociedade para elaborar a nova proposta, que será avaliada pelo ministro da Justiça antes de ser encaminhada à Presidência da República. Qualquer pessoa ou instituição pode sugerir critérios para a concessão do indulto.

As colaborações podem ser enviadas ou entregues na secretaria do CNPCP - Ministério da Justiça, edifício Sede, 3º andar, sala 303, Esplanada dos Ministérios, CEP 70.064-900, Brasília (DF) - ou enviadas por correio eletrônico para jussara.ribeiro@mj.gov.br.

Após a avaliação das sugestões, o CNPCP vai convocar uma audiência pública para debater a questão. A comissão é composta pelo presidente do Conselho, Geder Luiz Rocha Gomes e pelos conselheiros Rodrigo Duque Estrada, José de Almeida Carneiro, Fernando Braga Viggiano e Renato Flávio Marcão.


Indulto natalino

Como parte de uma tradição, todo final de ano o Presidente da República publica um decreto com os critérios da concessão de indulto aos presos. Com a aplicação do último decreto, de 22 de dezembro de 2009, a previsão é de que cerca de 4.500 presos ganhem a liberdade ao longo desse ano.


Fonte: Ministério da Justiça

segunda-feira, 10 de maio de 2010

CNJ lança campanha sobre o Sistema de Justiça Criminal Brasileiro


O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou campanha nacional sobre a modernização da justiça criminal.

Nesse sentido, o Poder Judiciário está empenhado em discutir e promover ações que tornem a justiça criminal mais célere e efetiva. O CNJ quer explicar de maneira fácil e didática a lógica do sistema brasileiro de penas para que as pessoas que não são atores do direito também possam participar.

A campanha será veiculada gratuitamente por emissoras de rádio e tevê a partir desta semana (16/4). O CNJ quer ampliar o debate sobre segurança, com foco em penas alternativas, como forma de "punir melhor", beneficiando a sociedade.

Fonte: www.cnj.gov.br

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Segurança Pública será tema de Seminário na Assembléia de MG em agosto



A Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizará, no período de 11 a 13 de agosto, um fórum técnico sobre segurança pública. O objetivo é avaliar as políticas públicas existentes nessa área e as propostas apresentadas à Comissão de Segurança Pública da ALMG nas diversas audiências realizadas no interior do Estado. Desde o ano passado, a comissão está visitando cada cidade sede de Região Integrada de Segurança Pública (Risp), além de outros municípios, para fazer um diagnóstico dos problemas vividos no Estado. Nesta sexta-feira (23/4/10), foi realizada na Assembleia a primeira reunião preparatória do fórum, com representantes de várias entidades.

O deputado João Leite (PSDB), presidente da Comissão de Segurança Pública, informou que a comissão já fez dez visitas e fará ainda outras sete: em Curvelo, nesta terça-feira (27/4), Contagem, Divinópolis, Vespasiano, Lavras, Betim e Belo Horizonte. Ao final de cada debate, segundo ele, o corpo técnico da Assembleia elabora um relatório da região. "No fórum, queremos tratar desses problemas e, ao final, teremos um documento com subsídios para a análise de leis orçamentárias e elaboração do Plano Plurianual de Ação Governamental", afirmou.

As audiências da comissão serão consideradas a fase de interiorização do fórum. E o evento em agosto, a plenária final, quando haverá palestras, debates de grupos de trabalho e votação de propostas. João Leite pediu aos participantes a seleção de temas e enumerou os que a comissão constatou como mais evidentes no interior, com destaque para o uso de drogas e sua relação com crimes diversos. O deputado adiantou que a abordagem de todos os temas será feita de forma intersetorial, envolvendo, no caso das drogas, por exemplo, a prevenção, a repressão e o tratamento. Outras sugestões também foram apresentadas. A próxima reunião preparatória será feita na sexta-feira (30), às 9h30, no Plenarinho I da ALMG.

Presenças - Participaram da reunião, além de servidores de várias áreas técnicas da ALMG, representantes dos gabinetes dos deputados Rômulo Veneroso (PV), Tenente Lúcio (PDT) e da deputada Maria Tereza Lara (PT), todos membros da comissão, e do deputado Durval Ângelo (PT), que preside a Comissão de Direitos Humanos. Também enviaram representantes o Sindicato dos Delegados de Polícia (Sindepo-Minas), Associação dos Delegados de Polícia Civil (Adepolc-MG), Corpo de Bombeiros, Superintendência da Polícia Federal em Minas, Fecomércio Minas, Federação da Agricultura e Pecuária (Faemg), Fundação João Pinheiro, Associação e Federação de Comunidades Terapêuticas, Conselho de Pastores e Secretarias de Estado de Desenvolvimento Social e Esportes e Juventude.



Fonte: Blog do Jornalista João Carlos Amaral

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Presos provisórios em MG votarão nas próximas eleições


Cinquenta unidades prisionais e socioeducativas de Minas Gerais terão seções eleitorais instaladas dentro de suas dependências para que presos provisórios e adolescentes internados cumpram um dos seus principais direitos de cidadãos: o voto. A maior parte dos detentos que aguardam julgamento nas penitenciárias, presídios, centros socioeducativos e cadeias públicas do território mineiro poderão votar para presidente, senador e governador nas eleições de 2010, que acontecerão em 3 de outubro.

Os convênios de cooperação técnica que garantem a instalação das zonas eleitorais especiais foram firmados nesta quinta-feira (08.04) pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) com a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) e com a Polícia Civil . A medida foi determinada pela Resolução de número 23219, de 02 de março de 2010, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A medida garante o direito de voto aos presos que não possuem condenação criminal transitada em julgado e aos jovens com idade entre 16 e 21 anos submetidos à medida socioeducativa de internação ou à internação provisória. Os convênios foram assinados pelo presidente do TRE, desembargador Baía Borges, o secretário de Estado de Defesa Social, Moacyr Lobato de Campos Filho, e o chefe da Polícia Civil em Minas, Marco Antônio Monteiro de Castro. Também estiveram presentes o ministro substituto do TSE, Joelson Dias, o diretor da Escola Judiciário Eleitora de Minas Gerais, juiz José do Carmo Veiga e o superintendente de Atendimento ao Preso, Guilherme Augusto de Faria. “Em Minas um dos aspectos mais fortemente ressaltados na Defesa Social é a modernização do sistema prisional, focado no tratamento humano com dignidade. Então, o esforço do Estado no sentido de dotar as unidades prisionais de condições para que os presos provisórios possam exercer o direito de voto é uma medida que vem ao encontro desta política de modernização”, ressaltou Moacyr Lobato.

Nem todas as unidades receberão seções eleitorais. Ficarão de fora aquelas que têm menos de 20 detentos provisórios e as que forem reprovadas na triagem a ser feita pelo TRE. O superintendente de atendimento ao preso, Guilherme Augusto, acredita que mais da metade das 112 unidades administradas pela Superintendência de Administração Prisional (SUAPI) de Minas Gerais serão contempladas. A Polícia Civil administra ainda cerca de 200 cadeias públicas.


Responsabilidades

Nos próximos meses, a Seds e a Polícia Civil deverão cumprir uma série de responsabilidades firmadas no convênio, como a indicação dos locais nos quais serão instaladas as seções, a listagem dos servidores e colaboradores que atuarão como mesários e a designação de agentes penitenciários para a garantia da segurança no processo eleitoral. Caberá à Justiça Eleitoral, dentre outras funções, realizar o cadastro das seções, fornecer todo o material necessário para sua instalação e possibilitar justificativa aos que não estiverem aptos à votação. As unidades prisionais também farão a triagem dos detentos aptos a votar.

Além das regras que são válidas para qualquer seção eleitoral, como a proibição de boca de urna e a permissão da presença de fiscal de partido, nas zonas das unidades não será permitida a realização de campanhas. A relação que os eleitores terão com os candidatos será realizada unicamente por meio de rádio e televisão.

A determinação da instalação de seções eleitorais em estabelecimentos penais e em unidades de internação de adolescentes foi enviada pelo TSE para todos os estados da Federação. As entidades responsáveis pela administração prisional, como é o caso da Seds e da Polícia Civil em Minas Gerais, deverão atender aos prazos determinados para que o maior número possível dos detentos vote.

Após a votação desse ano, as zonas criadas serão imediatamente suspensas. Para as próximas eleições serão feitas avaliações e novas triagens, com o intuito de diagnosticar quais outras unidades estão aptas a participar do processo eleitoral.


Fonte: SEDS/MG

terça-feira, 6 de abril de 2010

Em MG, Estado paga R$ 1 mil por preso ou ex-detento contratado


Projeto Regresso dá oportunidade de trabalho para ex-detentos

A contratação de um detento ou ex-detento vale dois salários mínimos mensais (R$ 1.020, para custeio do salário e encargos) para as empresas mineiras. Esse é o valor que passa a ser pago pelo governo de Minas para a contratação de cada egresso. O Estado é o primeiro a transformar em lei um projeto de subvenção econômica para estimular a reinserção de pessoas que já cumpriram as penas ou estão em liberdade condicional. “Não é suficiente trabalhar na capacitação, é preciso encontrar mecanismos para quebrar o preconceito instalado na sociedade”, diz Maurilio Pedrosa, secretário executivo do Instituto Minas Pela Paz, responsável pela coordenação do programa local, batizado de Regresso. A lei foi sancionada em setembro e começa agora a ser colocada em prática.

Pelo menos outros 30 projetos de lei para estimular a contratação de ex-presidiários estão emperrados em câmaras municipais, assembleias e na Câmara dos Deputados. Com base em diferentes formas de incentivo fiscal, os projetos esbarraram em obstáculos burocráticos e administrativos, como a necessidade de obter aprovação do Conselho Nacional de Política Fazendária. Para especialistas, o principal avanço da proposta mineira é garantir recursos do orçamento governamental. O modelo poderá ser copiado por outros Estados. O secretário paulista de Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif Domingos, já esteve em Minas para conhecer em detalhes a proposta.

Para ter direito à subvenção econômica, as empresas de Minas precisam estar em dia com os tributos estaduais e cadastradas no instituto. O número de egressos que serão custeados pelo Estado, para cada empresa, varia de 1 a 20. Companhias com até 20 empregados podem contar com a subvenção para a contratação de um detento. As com mais de 500 funcionários poderão receber subvenção para contratar número equivalente a 5% do total. O benefício será pago por até 24 meses. Os recursos só podem ser aplicados para pagamentos dos salários e encargos com detentos.

EXPECTATIVA

O estímulo financeiro é atraente. Mas ninguém espera que, de uma hora para outra, empresas façam fila no Instituto Minas Pela Paz para pleitear o benefício. Pelo contrário. As metas são modestas. Para 2010, a expectativa é custear a contratação de 300 detentos – o que equivale à dotação orçamentária já assegurada pela Secretaria Estadual de Defesa Social.

Os coordenadores do programa estão na torcida, mas não se arriscam a garantir que o objetivo será alcançado. “Será um trabalho de formiguinha”, resume o coordenador de projetos do instituto, Enéas Melo. “Temos de fazer um trabalho de conscientização das empresas sobre a importância da reinserção dos egressos na redução da criminalidade.” Em Minas, cerca de 3 mil presos deixam as cadeias, em livramento condicional ou definitivo, a cada ano. Desses, mil manifestam interesse de participar de cursos profissionalizantes.

Lá, os ex-detentos participam de programas de qualificação e também de trabalhos de valorização pessoal e cidadania. Uma das preocupações é resgatar a autoestima. São nesses núcleos que os cadastrados pelo Instituto Minas Pela Paz vão realizar processos de seleção.

EMPRESÁRIOS

Antes mesmo de a lei ter sido sancionada, presidentes de dez grandes empresas foram convidados a conhecer o trabalho de capacitação desenvolvido nos núcleos e a proposta do programa Regresso.Grande parte acabou aderindo antes mesmo de a subvenção econômica entrar em vigor.

A Usiminas, uma das maiores fabricantes de aço do País, já conta com 17 egressos trabalhando em diferentes funções. A empresa patrocinou um curso de formação de dois meses de duração, no segundo semestre do ano passado, e acabou aproveitando os que se destacaram. A construtora MASB tem hoje 12 ex-detentos trabalhando em canteiros de obra em Belo Horizonte. A construtora Santa Bárbara e a mineradora Anglo Gold também aderiram.

Para Luís Flávio Sapori, coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas em Segurança Pública da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e ex-secretário adjunto de Defesa Social de Minas, a adesão de grandes empresas é fundamental para o sucesso de iniciativas como o programa Regresso. “Exemplos de quem já fez e do que aconteceu são importantes para ajudar a quebrar os entraves, os preconceitos.”

NÚMEROS

30 outros projetos semelhantes ao de Minas Gerais estão emperrados em câmaras municipais, assembleias e na Câmara dos Deputados

20 empregados é o número mínimo de funcionários que uma empresa precisa ter para contratar pelo menos um ex-detento

24 meses é o tempo em que o benefício será pago

300 detentos é a meta de contratação até o fim do ano



Fonte: O Estado de São Paulo

Secretaria de Defesa Social assume cadeia pública de Itaúna


06/04/2010

A Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi) da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) atingiu a marca de 112 unidades prisionais ao assumir, nesta terça-feira (6), a cadeia pública de Itaúna, na região Centro-Oeste do Estado. A Suapi possui atualmente, sob sua custódia, uma população de cerca de 40 mil detentos em todo o Estado.

Com a transferência 26 policiais, sendo 16 civis e 10 militares, foram liberados para desempenhar funções específicas de investigação e policiamento preventivo e repressivo, dando lugar a 70 agentes penitenciários, especialmente treinados para assumir a tarefa de guarda e escolta de presos.

Cerca de 40 agentes participaram da operação, que incluiu procedimentos de busca nas celas e distribuição de kits compostos de uniformes, cobertores, toalhas, escovas de dente e produtos de higiene pessoal para os recuperandos.

De acordo com o subsecretário de administração prisional, Genilson Ribeiro Zeferino, ainda neste mês será feita a assunção de uma outra cadeia no Norte de Minas. O subsecretário ressalta que tais ações reforçam o compromisso do Governo de Minas com as prefeituras e polícias Militar e Civil, liberando o efetivo para suas funções de origem, frente ao combate à criminalidade.


Presídio

Ao assumir o comando da unidade, a Suapi transforma a cadeia pública em presídio, promovendo mudanças estruturais que vão desde o uso de uniforme obrigatório por parte dos detentos até estabelecimento de novas normas de visitação. A partir de agora só será permitida a entrada do visitante que providenciar seu cadastro na portaria, mediante apresentação de documentos como atestado de antecedentes criminais, comprovante de residência e cópias do RG e CPF.

Para viabilizar as adequações, nos primeiros 30 dias após a assunção da antiga cadeia de Itaúna, as visitas aos presos ficarão suspensas. A medida faz parte do Procedimento Operacional Padrão (POP), manual que disciplina os direitos e deveres dos detentos, funcionários e visitantes, que é adotado em todas as unidades prisionais do sistema de Defesa Social. O presídio passará ainda por uma reforma na parte administrativa e nos sistemas elétrico e hidráulico.

Os detentos terão atendimentos jurídico, social, odontológico, médico, psicológico e quatro refeições diárias, com cardápio supervisionado por nutricionista.


Fonte: SEDS/MG

CNJ instala Departamento para monitorar o Sistema Prisional Brasileiro


06/04/2010


O presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, instalou nesta terça-feira (06/04) o Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas (DMF) do CNJ, que permitirá uma centralização de dados sobre o sistema prisional e um maior controle dos processos e da situação dos presídios. "O departamento fará um melhor controle porque consolidará os vários bancos de dados existentes, mas é necessário e desejável que outros controles continuem sendo feitos por outros órgãos", afirmou o ministro Gilmar Mendes.

Criado formalmente pela Lei 12.106/2009, em dezembro do ano passado, o DMF está sendo supervisionado pelo corregedor Nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp, e coordenado pelo juiz Erivaldo Ribeiro dos Santos. O ministro Dipp destacou que o departamento é a coroação do trabalho de verificação do sistema prisional iniciado com os mutirões carcerários, em agosto de 2008. "Assim estamos conscientizando os juízes de que o caos do sistema carcerário não é responsabilidade só do Executivo e do Legislativo, mas de todos a quem cabe acompanhar os processos judiciais", comentou o ministro.

O DMF vai monitorar e fiscalizar o cumprimento das recomendações e resoluções do CNJ em relação à prisão provisória e definitiva, medida de segurança e de internação de adolescentes. É também atribuição do departamento planejar, organizar e coordenar, junto aos tribunais de Justiça, mutirões para reavaliação das prisões e o aperfeiçoamento de rotinas cartorárias.

O departamento também tem por objetivos o acompanhamento e a proposição de soluções para eventuais irregularidades verificadas no sistema penitenciário como também o incentivo ao desenvolvimento de medidas protetivas e de projetos de capacitação profissional e reinserção social de internos e egressos do sistema carcerário. Além disso, tem a responsabilidade de coordenar a instalação de unidades de assistência jurídica voluntária nos sistemas carcerário e de execução de medidas socioeducativas.


Fonte: Agência CNJ de Notícias

sábado, 20 de março de 2010

Reinício das ações na Apac de Santa Luzia


Recuperar a auto-estima dos presos, por meio de oficinas de leitura e escrita, informática e idiomas. Essas são algumas das atividades que serão desenvolvidas por professores e alunos extensionistas da PUC Minas, junto aos recuperandos do Centro de Reintegração Social Dr. Franz de Castro Holzwarth, em Santa Luzia, que adota o método da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac).

Para marcar o início das atividades deste ano, professores e alunos extensionistas que participam do Projeto Apac/PUC Minas se reúnem com recuperandos e a Diretoria do Centro neste sábado, 20 de março, a partir das 14h. Os trabalhos são coordenados pelo Núcleo de Direitos Humanos da Pró-reitoria de Extensão (Proex) da Universidade.

Durante a reunião, serão apresentadas a metodologia apaqueana – baseada, entre outros valores, na valorização humana e na solidariedade – e a nova Diretoria da Associação. Os representantes da Universidade apresentarão aos gestores da Apac a metodologia dos projetos em desenvolvimento desde 2007 e as novas ações que integram o Projeto Apac/PUC Minas.

Participam da reunião cerca de 40 alunos, professores e funcionários dos cursos de Ciências Biológicas/Programa de Educação Tutorial – PET (Coração Eucarístico), Psicologia (Coração Eucarístico), Direito (Praça da Liberdade), Sistemas de Informação e Letras (São Gabriel), além dos núcleos de Promoção da Saúde e Educativo, ambos da Pró-reitoria de Extensão.

Os núcleos Educativo e de Promoção da Saúde da Proex também integram as atividades. O Núcleo Educativo será responsável pela implementação da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e o Núcleo de Promoção da Saúde, que já realizou um diagnóstico sobre a saúde dos recuperandos e de suas famílias, desenvolverá atividades como prevenção ao uso de drogas e de integração de ações na área da saúde.


Fonte: PUC Minas - Informativo Online - 22/03/2010

terça-feira, 16 de março de 2010

MORTE EM PRESÍDIO DE CORONEL FABRICIANO: A LUZ AMARELA ESTÁ ACESA PARA O SISTEMA CARCERÁRIO MINEIRO !


A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) divulgou, na tarde desta terça-feira, nota oficial em que informa sobre a morte de um adolescente de 16 anos, executado dentro do presídio de Coronel Fabriciano.

A nota confirma que na noite de segunda-feira (15), um jovem de 16 anos acautelado no presídio morreu no Hospital Siderúrgica, após ser agredido por outros adolescentes, companheiros de alojamento.

A descoberta foi no procedimento de contagem no alojamento, quando os agentes penitenciários perceberam um grupo imobilizando um dos jovens pelo pescoço.

"Eles intervieram imediatamente, controlando o tumulto e fazendo o atendimento inicial. O adolescente agredido foi encaminhado ao hospital, mas não resistiu e faleceu", diz a nota.

Segundo a Seds, a equipe de assistência social da unidade contactou a família e a Polícia Civil foi acionada para investigação do fato e apuração de responsabilidades. A Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi) também abriu procedimento interno para apurar as circunstâncias da ocorrência.

Em relação à permanência de adolescentes em estabelecimentos prisionais, a Subsecretaria de Atendimento às Medidas Socioeducativas (Suase) da Seds esclarece que existe um entendimento com o Poder Judiciário que permite o cumprimento de medidas em unidades prisionais, desde que não haja centro socioeducativo na região, como é o caso de Coronel Fabriciano.

"À medida que as vagas no sistema socioeducativo vão sendo solicitadas, os adolescentes são remanejados para outros locais do Estado, o mais próximo possível de suas famílias. No caso da vítima, não havia registro judicial para transferência", conclui a nota.

A ocorrência da morte do adolescente noite passada no presídio de Fabriciano, onde estão detidos outros oito menores de 18 anos, repercutiu em todo o Estado. A discussão traz à tona, novamente, a questão da falta do Centro Socioeducativo, destinado ao atendimento de menores de 18 anos, envolvidos com o crime.

Fonte: Diário do Aço - 16/03/2010
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