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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Conselho Nacional de Justiça propõe monitoramento eletrônico de presos


Para ampliar o combate ao crime organizado, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) quer substituir o regime aberto de cumprimento de pena no qual o preso trabalha de dia e volta para a casa do albergado para dormir. Esse sistema seria trocado pela prisão domiciliar desde que o preso concordasse em ser monitorado eletronicamente.

"O cumprimento de pena em regime aberto, com recolhimento noturno a casa de albergado, segundo entendimento consensual dos juízes com exercício em varas de execução penal, não tem se mostrado medida eficaz, ademais de alimentar a criminalidade", afirmou hoje o conselheiro do CNJ Walter Nunes, ao ler as propostas no plenário do CNJ, que deverá votar as propostas na próxima semana. "O ideal, nesses casos, é que o regime aberto seja cumprido mediante recolhimento domiciliar, com a fiscalização por meio de monitoramento eletrônico", disse.

Walter Nunes reconhece que o monitoramento eletrônico é polêmico e alguns juristas consideram a prática aviltante. "Mas não se pode deixar de reconhecer que não há nada mais agressivo à dignidade humana do que a prisão, especialmente em razão das precárias condições carcerárias em nosso País", disse.

Segundo o conselheiro, é importante que esse monitoramento seja aceito pelo acusado ou condenado. "Caberá ao próprio interessado direto na questão, por sua livre e espontânea vontade, fazer a escolha entre continuar o cumprimento da pena em estabelecimento carcerário ou em regime domiciliar", afirmou. Essa mudança dependerá da aprovação de leis pelo Legislativo e de resoluções por órgãos do Judiciário. Outras propostas podem ser colocadas em prática se forem aprovadas leis ou resoluções de órgãos do Judiciário.

Propostas

Além do monitoramento eletrônico, o pacote prevê outras mudanças que afetarão diretamente a vida dos presos. Pela proposta, o preso que trabalharem deve receber pelo menos o salário mínimo. E as empresas privadas que contratarem presos ou egressos terão dois anos de incentivo fiscal com redução da contribuição social pela folha de empregados. A Justiça Eleitoral terá de providenciar os meios para que os provisórios votem.

O pacote prevê medidas rigorosas para tentar evitar a comunicação entre integrantes do crime organizado. Pela proposta, as visitas ou ligações telefônicas recebidas por presos no regime disciplinar diferenciado serão monitoradas para que sejam evitados novos crimes ou a circulação de informações para membros de grupos criminosos organizados.

Também estão previstas mudanças para aumentar a segurança dos juízes que trabalham na área criminal. Pela proposta, os tribunais deverão adotar medidas administrativas para aumentar a segurança, instalando câmaras de vigilâncias nas varas criminais e detectores de metais e controlando o acesso aos prédios. Deverá ser criado um Fundo Estadual de Segurança dos Magistrados.

Nunes disse que poderia ser adotada a estratégia de órgãos colegiados e não apenas um juiz julgarem acusados de envolvimento com grupos criminosos organizados. "Essa medida diminui a pessoalização do processo, o risco de pressões ou retaliações contra o juiz individual", disse.

Fonte: Agência Estado - 27/10/2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

FORÇA NACIONAL DA DEFENSORIA PÚBLICA EM EXECUÇÃO PENAL COMEÇA A ATUAR EM RIBEIRÃO DAS NEVES NESTA SEGUNDA-FEIRA, 19 DE OUTUBRO


FORÇA NACIONAL DA DEFENSORIA PÚBLICA EM EXECUÇÃO PENAL COMEÇA A ATUAR EM RIBEIRÃO DAS NEVES NESTA SEGUNDA-FEIRA, 19 DE OUTUBRO

A solenidade de abertura dos trabalhos que a Força Nacional da Defensoria Pública em Execução Penal realizará, inicialmente, no Estado de Minas Gerais, nas cinco unidades prisionais de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana da Capital, será às 09 horas desta segunda-feira, 19 de outubro, no salão nobre da Defensoria Pública Estadual, na Rua Paracatu, 304 - 3º andar, Barro Preto, em Belo Horizonte.

Ainda na parte da manhã, às 10h30, na sede da DPMG em BH, ocorrerá a primeira reunião operacional com os 42 Defensores Públicos, que compõem a Força. Às 14 horas, já em Neves, eles iniciam a atuação. A Prefeitura de Ribeirão das Neves apoia a iniciativa cedendo dez funcionários para atuarem junto à FN, assim como o SESC/MG, que fará o transfer diário dos Defensores de BH para Neves. Outros importantes apoiadores da Força são a Coca-Cola, a Copasa, o Projeto Ambientação do Governo de Minas Gerais, Associação dos Defensores Públicos de Minas Gerais (Adep-MG), a Associação dos Produtores Artesanais de Cachaça Salinas-APACS, a Banda "Asas de Minas" da Aeronáutica e o saxofonista Sargento Silveira, Programa de Educação Previdenciária/INSS, entre outros.

A escolha de Minas Gerais para o início da atuação dos Defensores Públicos voluntários da Força Nacional, procedentes de diferentes Estados da Federação e do Distrito Federal, além de Defensores Federais, foi proposta pelo Defensor Público-Geral de Minas Gerais, Belmar Azze Ramos, ao considerar as particularidades do complexo penitenciário de Ribeirão das Neves, durante reunião extraordinária do CONDEGE, no dia 26 de agosto passado, em Brasília. A atuação da Força tem previsão de duas semanas de duração, e é ditada pelo princípio da solidariedade federativa. O segundo Estado a requisitar a atuação da Força Nacional, no próximo mês de novembro, foi Pernambuco, no nordeste brasileiro.

Presos, processos e guias de execução aos milhares

O trabalho dos Defensores da FN em prol da população carcerária de Ribeirão das Neves acontecerá na Penitenciária José Maria Alkmim, nos Presídios Dutra Ladeira e Inspetor José Martinho Drumond, no Presídio Feminino José Abranches Gonçalves e no Centro de Apoio Médico e Pericial. Neste complexo penitenciário, os Defensores da FNDPEP encontrarão, segundo levantamento de 1º de setembro de 2009, 5.148 pessoas encarceradas, entre presos definitivos e provisórios, sendo que a população carcerária ideal da Comarca, considerando as vagas disponíveis, atualmente, seria de 3.381 pessoas. A Vara de Execução Criminal de Ribeirão das Neves tem cerca de 11.231 guias de execução ativas, distribuídas em 5.445 processos de execução criminal. Tais informações são do Grupo de Atuação Estratégica Permanente em Defesa da População Carcerária-GAEP da Defensoria Estadual.

Medidas cabíveis a cada prazo

Ainda segundo o GAEP, a força-tarefa a ser desempenhada pelos Defensores mineiros contará com duas equipes: uma com a atuação voltada para a defesa da população carcerária presa a título de prisão provisória e a outra para a defesa da população carcerária em execução de penas. No caso dos presos provisórios, estes serão atendidos por três Defensores designados para a função. A essa categoria será assegurado o direito à informação, devendo ser atendida na unidade prisional e ter sua situação processual analisada através de pesquisa via Siscom (Sistema de Informação do Andamento Processual do Tribunal de Justiça de Minas Gerais). O GAEP explica que, em caso de indícios de excesso de prazo, ilegalidade ou desnecessidade da prisão provisória, os Defensores Públicos adotarão as medidas cabíveis.

Encolhendo prazos

Dentro da logística estabelecida, entre os dias 19 e 26 de outubro, os demais Defensores voluntários da Força Nacional ficarão responsáveis pela análise dos processos de execução penal, cabendo a eles a elaboração dos pedidos pertinentes. Entre os dias 27 e 30 de outubro, eles realizarão atendimento aos custodiados, dentro das unidades prisionais. No dia 28 de outubro, haverá uma sessão extraordinária do Conselho Penitenciário (COPEN), na Comarca de Ribeirão das Neves, para emitir parecer sobre os pedidos de indulto e comutação, elaborados pelos Defensores da FN, com o objetivo de agilizar o trâmite processual.
Finalidade e princípios


A Força Nacional da Defensoria Pública em Execução Penal "tem a finalidade de prestar, quando requisitada, em todas as unidades do sistema penitenciário brasileiro consideradas prioritárias, as atividades de fiscalização, assistência jurídica e tutela dos direitos dos presos e presas provisórios, definitivos e internados que não possuam condições financeiras de constituir um advogado, otimizando o trabalho já desenvolvido pela Defensoria Pública do respectivo Estado, ou suprindo a falta desta", é o que reza o seu regimento . Entre os princípios norteadores da atuação dessa FNDPEP destacam-se "a promoção e proteção dos direitos fundamentais dos presos, presas e dos internados em estabelecimentos penais, a qualquer título", "o atendimento aos detentos e detentas das unidades prisionais in loco, de maneira a prestar assistência jurídica integral e gratuita" e "apoio às ações do Poder Judiciário na área de execução penal".

O nascedouro da Força

O acordo de cooperação assinado em Brasília, no dia 12 de agosto de 2009, que criou a Força Nacional da Defensoria Pública em Execução Penal, envolveu os parceiros Ministério da Justiça, com interveniência da Secretaria de Reforma do Judiciário e do Departamento Penitenciário Nacional, a Defensoria Pública da União e o Conselho Nacional de Defensores Públicos Gerais-CONDEGE. Assinaram o documento o ministro Tarso Genro, a presidente do CONDEGE, Tereza Cristina Almeida Ferreira, o secretário de Reforma do Judiciário Rogério Favreto, o diretor-geral do DEPEN Aírton Aloísio Michels e o Defensor Público-Geral da União, José Rômulo Plácido Sales.

A Coordenação Executiva da Força Nacional da Defensoria Pública em Execução Penal é composta por membros das três instituições parceiras. São eles: o coordenador-geral Líbero Atheniense Teixeira e a Defensora Carmen Silvia de Moraes Barros, representando o CONDEGE; Marcelo Sgarbossa e Anete Soares Lemes, da Secretaria de Reforma do Judiciário; Leonardo Lorea Mattar, da Defensoria Pública da União; e Elisa Smaneoto, do Departamento Penitenciário Nacional/MJ.

Eles são os Defensores voluntários

Além dos mineiros, os Defensores Públicos que se dispuseram a vir, voluntariamente, a Minas Gerais para atuar na Força Nacional da Defensoria Pública em Execução Penal procedem de diferentes Estados da Federação, da Defensoria Pública da União e do Distrito Federal. São eles:

BAHIA: Maurício Martins Moitinho, Alexandre Alves de Souza e Gil Braga;

CEARÁ: Daniel Monteiro Mendes e Raimundo Derval Costa Filho;

TOCANTINS: Arthur Luiz Pádua Marques e Daniel Silva Gezoni;

PARAÍBA: Cardineuza de Oliveira Xavier e Maria Tâmara Lira de Souza;

DPU: Guilherme Michelazzo Bueno, Robson de Souza e Raimundo Costa Coelho Filho;

SÃO PAULO: Carmen Silvia de Moraes Barros, Fabricio Pereira Quintanilha, Anaí Arantes Rodrigues e Danilo Kazuo Machado Miyazaki;

RIO DE JANEIRO: Clarisse Pitta de Noronha, Renata Tavares da Costa Bessa, Gabriela Menezes Gulla, Thais de Moura Souza e Lima, Katia Regina Dutra Leite, Carlos Alberto de Figueiredo Silva Júnior, Sílvia Maria de Siqueira, Fabiana Andrade Ferreira da Gama, Daniella de Oliveira Andrade;

PERNAMBUCO: Roberta Rodrigues Pitanga de Macedo e Mirella Corrêa de Oliveira Wanderley;

RORAIMA: Terezinha Muniz de Souza Cruz;

RIO GRANDE DO SUL: Naira Regina Stefani Sanches e André Castanho Girotto;

DISTRITO FEDERAL: Olívio de Souza Júnior

MINAS GERAIS: Luciana Moura Fonseca, Maria Valéria Valle da Silveira, Paula Regina Fonte Boa Pinto, Ana Paula Távora Neves, Maria Aparecida Coelho Ervatti, Glaydson Agostinho Pereira, Cristiano Maia Luz, Fabrízio de Moraes Barros Mussolin, Lucila Delfina Resende de Barros e Maria Cristina Gonçalves Santos.


Fonte: Defensoria Pública de Minas Gerais

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

1ª Conseg avança na implementação de princípios e diretrizes !

CICLO DE DEBATES: Alternativas À Privação de Liberdade


PROGRAMAÇÃO

5/10/2009 – Segunda-feira

19h30 – Recepção e credenciamento

20h – Abertura

Deputado Alberto Pinto Coelho – Presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais – ALMG
Tarso Genro – Ministro da Justiça
Desembargador Sérgio Antônio de Resende – Presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais
Alceu José Torres Marques – Procurador-Geral de Justiça do Estado de Minas Gerais
Deputado Durval Ângelo – Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais
Deputado Agostinho Patrús Filho – Secretário de Estado de Desenvolvimento Social
Maurício de Oliveira Campos Júnior – Secretário de Estado de Defesa Social
Belmar Azze Ramos – Defensor Público-Geral do Estado de Minas Gerais
Emely Vieira Salazar – Presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos


20h20 – Palestra Magna:
Alternativas à privação de liberdade: outras formas de promover justiça
Juarez Cirino dos Santos – Professor da Universidade Federal do Paraná e do Instituto de Criminologia e Política Criminal – ICPC

21h20 – Apresentação cultural

21h40 – Confraternização



6/10/2009 – Terça-feira
9h – Punir ou responsabilizar? Ressignificando a Justiça

Expositores:
Márcia de Alencar Araújo Mattos – Coordenadora-Geral do Programa de Fomento às Penas e Medidas Alternativas da Diretoria de Políticas Penitenciárias do Departamento Penitenciário Nacional – Ministério da Justiça
Maria Lúcia Karam – Ex-defensora pública e juíza de direito aposentada.
Wanderlino Nogueira Neto – Consultor da Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente

10h – Debates
Coordenador dos debates: Deputado Durval Ângelo – Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais

10h30 – Palestra: As regras de Tóquio e o contexto brasileiro de alternativas à prisão
Expositores:
Leonardo Sica – Doutor e Mestre em Direito Penal
Ana Lúcia Sabadell – Doutora em Direito e Professora titular da UFRJ

11h30 – Debates

14h – Mesa multidisciplinar (roda de conversa): Olhares multidisciplinares sobre as alternativas ao modelo prisional
Expositores:
Rodrigo Torres Oliveira – Vice-Presidente do Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais
Glays de Fátima Silva Guerra – Assessora Jurídica do Conselho Regional de Serviço Social e Professora da PUC-Minas
Virgílio de Mattos – Jurista e professor Universitário
Ignácio Cano – Sociólogo - UERJ

15h30 – Debates
Coordenador dos debates: Deputado João Leite - Presidente da Comissão de Segurança Pública e da Comissão Especial da Execução das Penas no Estado

16h – Diálogo intersetorial: Perspectivas na efetivação de modelos alternativos de justiça penal
Representante do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
Representante do Ministério Público do Estado de Minas Gerais
Representante da Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais
Maurício de Oliveira Campos Júnior – Secretário de Estado de Defesa Social
José Luiz Quadros de Magalhães – Professor da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG – e da PUC-Minas
Maria Teresa dos Santos – Presidente do Grupo de Amigos e Familiares de Pessoas em Privação de Liberdade

17h30 – Debates

18h – Encerramento

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Egressos do sistema penitenciário do Ceará participam de Conferência Livre de Segurança Pública


Egressos do sistema penitenciário do Estado do Ceará participaram na sexta-feira, 30 de julho, de Conferência Livre. A Conferência, realizada pela Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Fortaleza, em parceria com a Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus), contou com a presença de cerca de 30 egressos que cumprem pena em regime semi-aberto e aberto. O encontro foi uma oportunidade para eles proporem políticas públicas eficazes para melhorar a situação da pessoa presa.


A Conferência Livre dos Egressos é uma das etapas para da Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), que será realizada de 27 a 30 de agosto deste ano, em Brasília. Durante o encontro foram definidos 6 princípios e 21 diretrizes relacionados ao eixo 6 – Diretrizes para o sistema penitenciário, a serem encaminhados para a organização da Conseg.


Os seis princípios priorizados foram:

1 - A política nacional de segurança pública deve pautar-se pelo respeito à cidadania;
2 - A política nacional de segurança pública se faz com ressocialização e oportunidades de reintegração social;
3 - A política nacional de segurança pública não se faz com repressão, mas com educação;
4 - A política nacional de segurança pública se faz com respeito à pessoa humana;
5 - O serviço público deve respeitar o princípio de soberania popular previsto na constituição e;
6 - A política nacional de segurança pública não será efetivada se não vencer o preconceito contra todos, especialmente contra ex-presidiários.


As 21 diretrizes priorizadas no final da etapa pelos egressos foram:

1 – Retirar as limitações decorrentes da condenação, como, por exemplo, a vedação de submeter-se a concursos públicos;
2 – Garantir a participação de egressos em concursos públicos, possibilitando trabalho em órgãos e repartições públicas;
3 – Abolir a exigência de carta de emprego;
4 – Criar sistema que garanta a liberação da pessoa privada da liberdade tão logo complete os requisitos necessários para os benefícios legais, ou o cumprimento integral da pena, na forma de sentença condenatória;
5 – Extinguir o piso da remuneração para o pagamento dos detentos que trabalham, fixando, pelo menos, o pagamento de um salário mínimo, garantido constitucionalmente;
6 – Garantir condições dignas para as visitas de pessoas privadas da liberdade, com local específico e com infra-estrutura adequada para o tempo de espera;
7 – estabelecer cotas para egressos no mercado de trabalho, garantindo incentivos fiscais para empresas que os contratem;
8 – Abolir os recolhimentos semanais do regime semi-aberto para aqueles que têm trabalho externo;
9 - Criar cooperativas de trabalho nas colônias agropastoris para cumprimento do regime semi-aberto;
10 – Criar associações de auxílio aos detentos, para lutar por seus direitos e garantir os benefícios previstos na legislação;
11 – Fomentar a investigação judiciária e não policial, fiscalizando os inquéritos policiais para garantir a veracidade dos depoimentos e garantindo o acompanhamento por defensores públicos dos flagrantes efetuados;
12 – Garantir assistência religiosa, sem discriminações, respeitando a liberdade de culto;
13 – Criar Lei específica para punir preconceito contra ex-presidiário;
14 – Garantir efetiva assistência social dentro dos presídios, com presença real e freqüente dos profissionais nas unidades;
15 – Instituir e manter setor jurídico em cada presídio para assistência aos presos;
16 – Criar Lei que penalize o Estado se houver superlotação, para respeitar o limite de vagas das unidades penitenciárias;
17 – Realizar exames criminológicos para juízes, promotores, advogados criminalistas, deputados e senadores;
18 – Estabelecer estudo e trabalho efetivos nas unidades prisionais, garantindo melhorias reais na escolarização;
19 – Garantir visitas regulares de juízes nos presídios durante os cursos de formação;
20 – Cumprir as Leis já existentes;
21 – Impedir que a mídia exponha acusados e detentos, em respeito à dignidade da pessoa humana.

Fonte: Secretaria de Justiça do Ceará

segunda-feira, 27 de julho de 2009

II SEMINÁRIO ANTIPRISIONAL: DESCONSTRUÇÃO DAS PRÁTICAS PUNITIVAS



7 e 8 de agosto de 2009
Associação Mineira do Ministério Público
Rua Timbiras, 2928, Barro Preto - BH

Serão fornecidos certificados de participação equivalentes a 12h/aula
Para aqueles que participarem de um mínimo de 75% das atividades.
Pré- Inscrição por e-mail: frenteantiprisional@gmail.com
Valor: R$ 10,00

Apresentação:

No seu segundo ano de constituição, o Grupo de Amigos e Familiares de Pessoas em Privação de Liberdade, organização que congrega militantes de vários grupos de ação direta sobre o tema, tanto na Academia quanto fora dela, e que tem como área prioritária de atuação a região metropolitana de Belo Horizonte, traz a público seu II Seminário Antiprisional: DESCONSTRUÇÃO DAS PRÁTICAS PUNITIVAS

Sem descuidarmos do olhar sobre aquele que trabalha na contenção das classes pobres e miseráveis, também vítima do modelo neoliberal – ainda que não saiba - afinal os agentes penitenciários são recrutados nos mesmos bairros pobres onde o capital devasta e precariza os postos de trabalho com a política penal do encarceramento em massa, privilegiamos aqueles familiares e amigos de pessoas em privação de liberdade, sem distinção de gênero, embora com foco no crescimento absurdo do aprisionamento feminino (só em Belo Horizonte mais de 1000% nos últimos 14 anos!).

Entendemos que só a organização popular, massiva, com informação e clareza sobre seus direitos e papel histórico, tem como fazer frente à barbárie do encarceramento que acabou virando a única “política social” em tempos neoliberais.

Vivemos, nos últimos anos em especial, um avanço dessa política de “modernização” no discurso e retrocesso na prática. O dinheiro suado dos trabalhadores vai financiar a contenção penal dos consumidores falhos, dos excluídos e gerará enorme lucro aos especuladores, aos exploradores de sempre.

Nossa luta é por dignidade, por delicadeza, mas o momento é de demonstrarmos nossa força. Compareça, participe!


PROGRAMAÇÃO

Dia 7 DE AGOSTO - Sexta
18h/18h45 – Credenciamento

19h – ABERTURA
Fernanda Vieira – Coordenadora da Comissão Jurídica do Grupo Antiprisional

Heloísa Bizoca Greco – Instituto Helena Greco de Direitos Humanos

Rodrigo Torres de Oliveira – Vice-Presidente do Conselho Regional de Psicologia

Representante da Diretoria do Conselho Regional de Serviço Social


Conferência de Abertura
Maria Lúcia Karam – Juíza de Direito aposentada, escritora.

DIA 8 DE AGOSTO - SÁBADO

9h/10h30 – Mesa 1 - CONSTITUIÇÃO DO PODER POPULAR. ORGANIZAR A LUTA, AVANÇAR!

Coordenação D. Tereza dos Santos – Presidente do Grupo de Amigos e Familiares de Pessoas em Privação de Liberdade

José Luis Quadros de Magalhães – Constitucionalista

Pedro Otoni – Mestrando em Ciências Políticas pela UFMG


10h45/12h15 – Mesa 2 – QUEM CLASSIFICA OS CLASSIFICADORES?

Coordenação Andreza Lima de Menezes – Especialista em Segurança Pública pelo Ministério da Justiça. Da Comissão Jurídica do Grupo de Amigos e Familiares de Pessoas em Privação de Liberdade.

Rosimeire A. Silva – Coordenação de Saúde Mental do Município de Belo Horizonte

Virgílio de Mattos – Da Rede Nacional de Altos Estudos em Segurança Pública do Ministério da Justiça. Da Comissão Jurídica do Grupo de Amgios e Familiares de Pessoas em Privação de Liberdade.

15h/17h – GRUPO DE TRABALHO

GT1 -Privatização do Sistema Prisional
GT2 -Revista Vexatória nas prisões mineiras
GT3- Saúde no Sistema Prisional
GT4 – Pela construção de APACS


Organização: GRUPO DE AMIGOS E FAMILIARES DE PESSOAS EM PRIVAÇÃO DE LIBERDADE

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Segmentos mineiros definem diretrizes em segurança pública


Minas Gerais levará à Brasília, no mês de agosto, sua contribuição sobre o tema segurança pública. Cento e cinco representantes mineiros eleitos na etapa estadual da Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), realizada de 21 a 23 de julho, no Hotel Ouro Minas, em Belo Horizonte, serão os porta-vozes dos princípios e diretrizes eleitos por cerca de 700 conferencistas. O resultado dos princípios, divulgado nesta quinta-feira (23), mostrou que os mineiros estão mais preocupados com a valorização e qualificação dos profissionais, a autonomia orçamentária e financeira dos órgãos de segurança pública, a promoção dos direitos humanos e da cidadania, a integração das instituições para o enfrentamento preventivo e reativo da criminalidade, além de uma gestão prisional voltada para a ressocialização e da promoção da cultura de paz.

Já as diretrizes contemplaram, principalmente, questões como a implementação e a regulamentação de Conselhos de Segurança Pública (Conseps) em todos os municípios; o fortalecimento de mecanismos de controle das corregedorias e ouvidorias; criação de fundo para as instituições de segurança pública com recursos da União, Estados e Municípios; melhoria geral das condições de trabalho e o incentivo à criação de espaços públicos de socialização como praças, quadras e parques.

O secretário de Estado de Defesa Social, Maurício Campos Júnior, chegou cedo ao Hotel Ouro Minas e fez questão de votar nos princípios e diretrizes. “Sinto-me envolvido no processo, tanto como gestor público, quanto como membro da sociedade civil e, por isso, tinha o dever de votar”, disse. Seus critérios de escolha foram coerentes com o modelo de gestão integrada da defesa social mineira priorizando a qualificação e a valorização profissional, além da articulação sistêmica com foco na prevenção social da criminalidade. “Escolhi princípios e diretrizes referentes a esses aspectos e que são representativos do modelo adotado por Minas Gerais”, falou.

Um dos diferenciais da etapa Minas Gerais da Conseg foi a atenção dos participantes com as questões relativas ao adolescente autor de ato infracional, tema, a priori, não contemplado pela metodologia proposta pelo Ministério da Justiça. “Implementar programas de resolução extrajudicial de conflitos e aplicação de medidas socioeducativas em meio aberto, como também medidas e penas alternativas à privação de liberdade”, foi uma das diretrizes escolhidas. Com isso, na avaliação de Campos Júnior, o Estado dá uma importante contribuição relacionada ao atendimento ao jovem em conflito com a lei. Essa decisão será levada a Brasília como parte da política de segurança pública, já que este tema afeta outras secretarias especiais da Presidência da República ou Ministérios”, comentou.

O subsecretário de Atendimento às Medidas Socioeducativas da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), Ronaldo Pedron, lembra que “pensar a questão da segurança pública dissociada do envolvimento de jovens e adolescentes com a criminalidade é um problema sério. “Precisamos conceber isso na gênese da criminalidade. E em vários grupos de trabalho dessa conferência isso foi consensual. Minha expectativa é de que, a partir dessa experiência tão positiva, possamos fazer dessa uma discussão mais profunda e abrangente”, ressaltou.

Eleição dos representantes mineiros

Os 105 delegados eleitos comemoraram bastante suas conquistas. Walquíria La Roche, diretora do Centro de Referência de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transsexuais e Transgêneros, foi a mais votada do segmento Sociedade Civil, com 39 votos. “Sinto-me honrada. Levanto a bandeira dessa categoria, mas levarei a Brasília todas as discussões relacionadas aos direitos humanos. Fui muito aviltada no passado, mas hoje conquistei respeito e reconhecimento. Minha militância não se dissocia da história da minha vida”, falou.

O secretário de Defesa Social, Maurício Campos Júnior, concluiu ter sido possível realizar uma conferência de grande porte, com a presença maciça de todos os segmentos da sociedade. “Acho que essa era a nossa missão, o nosso dever. E talvez essa tenha sido a nossa maior contribuição: possibilitar que estivessem na mesma mesa, na mesma sala, vários agentes e várias visões do mesmo tema. Acolho plenamente os princípios e diretrizes eleitos nesse processo legítimo e democrático”.

O encerramento da Conferência foi feito com a apresentação do monólogo de “O Menestrel”, de Willian Shakespeare, com a interpretação do Sargento BM Carlos José Alves Gomes, do grupo de teatro Pelotão 193.


FonteÇ Governo de Minas Gerais

quinta-feira, 9 de julho de 2009

1ª CONFERÊNCIA NACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA - ETAPA ESTADUAL MINAS GERAIS
Segurança com cidadania: participe dessa mudança!


segunda-feira, 8 de junho de 2009

JUIZ QUE ORDENOU SOLTURA DE PRESOS EM MG RESOLVE LARGAR A CARREIRA


TJ decide hoje aposentadoria compulsória de Livingsthon Machado, acusado de desrespeitar decisão superior em 2005; ele diz que não teve direito de defesa:

Afastado desde 2005, quando determinou a soltura de 59 presos que cumpriam pena ilegalmente em delegacias superlotadas na comarca de Contagem (MG), o juiz Livingsthon José Machado, 46, resolveu abandonar a magistratura.

O caso chamou a atenção para a situação caótica do sistema carcerário e desafiou o discurso do governador Aécio Neves (PSDB) de que a segurança pública era uma prioridade.

O juiz diz que foi punido sem direito de defesa. Em abril último, recusou a remoção compulsória para uma vara cível. O Tribunal de Justiça de Minas reúne-se hoje para decidir sua aposentadoria compulsória.

Leia, a seguir, trechos da entrevista de Machado, que deve publicar no segundo semestre o livro "A Justiça por Dentro: Abrindo a Caixa-Preta".



FOLHA - Qual era a situação carcerária quando o sr. assumiu a Vara de Execuções Criminais em Contagem?

LIVINGSTHON JOSÉ MACHADO - À época [2005], havia seis unidades prisionais [em delegacias] e uma prisão de segurança máxima. As seis delegacias tinham presídios em situação irregular.

Num distrito, em razão do excesso de presos, o delegado pôs uma grade no corredor, que virou uma cela com 28 presos.


FOLHA - Por que o sr. determinou a primeira soltura de presos?

MACHADO - Naquele distrito, 16 presos cumpriam pena ilegalmente. Ordenei a transferência deles depois que o Ministério Público pediu a interdição do presídio. Como foi vencido o prazo e não houve a transferência, expedi 16 alvarás de soltura.

O Estado, através da Procuradoria, ajuizou um mandado de segurança, dizendo que a decisão contrariava o interesse público. O desembargador Paulo César Dias deu a liminar e suspendeu a ordem de soltura.

Duas semanas depois, a situação em outro distrito era caótica. Em quatro celas, cada uma com capacidade para 4 presos, havia 148, dos quais 39 esperavam transferência para a penitenciária havia quatro anos. Também expedi mandado de soltura para os 39. Novo mandado de segurança foi impetrado e nova liminar foi dada.


FOLHA - Ficou caracterizado que houve desobediência sua?

MACHADO - A alegação foi que eu desobedeci reiteradamente a decisão do desembargador. Não houve isso. No dia 22 de novembro de 2005, um juiz corregedor me avisou que eu seria afastado no dia seguinte.

Fui afastado sem possibilidade de defesa. Só fui intimado para responder a esse processo em março do ano seguinte. Em setembro de 2007, a corte decidiu o meu afastamento. Apesar de a lei dizer que juiz só pode ser afastado por decisão de dois terços, esse quórum não foi alcançado. Só um desembargador examinou as provas. Votou pela minha absolvição.


FOLHA - Como o Ministério Público atuou no caso?

MACHADO - Nomeou uma comissão de dez promotores para apurar possíveis crimes que eu teria praticado. Quando foi assassinado um promotor em Belo Horizonte, a Procuradoria designou três promotores.


FOLHA - Qual foi a reação dos juízes de primeiro grau?

MACHADO - A associação dos magistrados fez uma nota depois do meu afastamento, dizendo que era inadmissível aquela ingerência. Houve solidariedade de juízes de outros países. Independentemente de chamar a atenção ou não, eu faria o que fiz. No país há um descaso com a população carcerária. O que fiz foi cumprir o dispositivo constitucional de que a prisão ilegal deve ser relaxada.


FOLHA - Como o sr. recorreu das decisões?

MACHADO - Assim que o tribunal decidiu me afastar, recorri em mandado de segurança aqui no tribunal. Foi denegado.

Contra essa decisão, impetrei um recurso ordinário que tramita no Superior Tribunal de Justiça. Publicada a decisão do tribunal daqui, entrei com recurso no Conselho Nacional de Justiça em 10 de outubro de 2007. Ficou um ano e meio sem o então corregedor despachar.

Foi distribuído ao relator Paulo Lobo, que, após alguns meses, disse que não conhecia da revisão [não seria o caso de julgar], porque eu já havia ajuizado recurso ordinário no STJ.

Eram coisas diferentes. No CNJ, alego que não houve desobediência. No STJ, contesto a decisão do tribunal. Contra essa denegação do CNJ, há um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal, cujo relator é o ministro Menezes Direito, que indeferiu a liminar. Agora, o tribunal em Minas abriu processo para minha aposentadoria compulsória.


FOLHA - Por que o sr. não aceitou a remoção para uma vara cível?

MACHADO - Há recursos a serem decididos. Se eu assumisse, estaria aceitando a punição.


FOLHA - O governo do Estado alega que acelerou a construção e a melhoria de presídios. É verdade?

MACHADO - Aqui, em Contagem, as unidades prisionais deixaram de existir em 2007.

Hoje, só existe a penitenciária.

De certa forma, foi um dos efeitos da ação. Não tem mais preso condenado em delegacia aguardando vaga na penitenciária.

Foi criado um centro de internação provisória. Mas, num distrito investigado pela CPI do Sistema Carcerário, viram que a situação continuava grave.


FOLHA - Quando o sr. decidiu que iria deixar a magistratura?

MACHADO - Quando vi a Constituição sendo rasgada.




Fonte: Reportagem Frederico Vasconcelos – Fonte: Folha de São Paulo, 27.05.09

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Caravana da Anistia chega a Uberlândia/MG


Brasília, 12/05/09 (MJ) - A 22ª Caravana da Anistia chega a Uberlândia (MG) nesta quarta-feira (13) com o reconhecimento de que a resistência à ditadura militar no país não se restringiu somente às capitais. A homenagem ao papel do Triângulo Mineiro na construção da democracia inclui um julgamento especial da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, que apreciará processos de ex-perseguidos políticos da região. A sessão será aberta na quinta-feira (14), às 9h30, pelo ministro Tarso Genro.

Projeto desenvolvido pela Comissão de Anistia, a caravana será realizada na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Nesta quarta-feira (13), haverá duas mesas redondas sobre “Justiça de transição” e “A natureza do regime”, com participação de especialistas. Na quinta, a abertura da sessão de julgamento será feita pelo ministro Tarso Genro, o presidente da Comissão, Paulo Abrão, o reitor da UFU, Alfredo Julio Fernandes Neto, e o bispo de Uberlândia, Dom Paulo Francisco Machado.

Na cerimônia, será prestada homenagem a dois mineiros naturais de Uberlândia que tiveram papel importante na resistência. Um deles é Dom Estevão Avellar, bispo da região do Araguaia na época de atuação da guerrilha. O outro, Guaracy Raniero, foi um dos principais dirigentes do Movimento Revolucionário 21 de Abril, braço da esquerda nacionalista vinculada a Leonel Brizola. O grupo foi desmantelado em 1967 com a prisão de 22 integrantes, todos de Uberlândia – Raniero cumpriu pena de dois anos em Juiz de Fora (MG).

Cinco processos julgados nesta quinta-feira envolvem ex-integrantes do Movimento 21 de Abril: Irto Marques dos Santos, Elias Parreira Barbosa, Romário Ribeiro Júnior, Edmo de Souza e Antonio Jerônimo de Freitas.

Outro caso emblemático será o julgamento de quatro integrantes da mesma família: o pai, o mineiro Sebastião Vieira, e a mãe, Maria Rodrigues Vieira, foram perseguidos em razão da militância exercida pelos filhos – Euler, Joana D’Arc e Marina (esta já anistiada pela Comissão de Anistia).

Justiça histórica

“As perseguições políticas ocorridas no Triângulo Mineiro são desconhecidas no país. O papel da Igreja e de Dom Estevão, a criação do Movimento Revolucionário 21 de Abril, a saga da família Vieira são exemplos da resistência ocorrida no interior do Brasil, que precisa ser valorizada e receber destaque histórico”, avalia o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão.

Será julgado, ainda, o processo do atual secretário de Educação do município, o médico Afrânio de Freitas Azevedo. Ex-militante comunista, Azevedo foi responsável pela cirurgia plástica que transformou o rosto de Carlos Lamarca, um dos principais guerrilheiros do país. A conseqüência foi sua prisão, por 73 dias, no Rio de Janeiro.

Na sexta-feira (15), o evento será encerrado com um debate sobre o tema “Tortura e Reparação: o alcance da lei de anistia.

Desde seu lançamento, em abril de 2008, o projeto Caravana da Anistia já percorreu 11 estados em todas as regiões do país, apreciando mais de 350 requerimentos. Além de tornar público o trabalho e os critérios da Comissão, o projeto aproxima a juventude brasileira da temática da luta pela democracia.

Criada em 2002, a Comissão de Anistia recebeu mais de 64 mil requerimentos de anistia política até hoje, dos quais cerca de 45 mil já foram julgados. Foram anistiados 29 mil brasileiros – em menos da metade, cerca de 12 mil casos, houve reparação econômica por danos materiais comprovados. O objetivo da Comissão é zerar a pauta de julgamentos até o fim de 2010.



Fonte: www.mj.gov.br

sábado, 25 de abril de 2009

PRESOS EM MG PODEM CHEGAR A 72 MIL EM 2011


Faltam defensores para presos, que podem chegar a 72 mil em 2011


Dos 41 mil presos do Estado, 40% são condenados, sendo o restante provisórios. Do total, 80% não têm advogado particular, mas apenas 30% deste universo contam com a efetiva assistência de um defensor público. Os números foram repassados à Assembleia Legislativa de Minas Gerais pelo superintendente de Atendimento ao Preso da Superintendência de Administração Prisional (Suap), Guilherme Soares, uma das 14 pessoas ouvidas na primeira reunião com convidados da Comissão Especial da Execução das Penas no Estado, nesta quinta-feira (2/4/09). Ele também projetou o número de presos para 2011: 72 mil pessoas.

Na reunião, acompanhada por agentes penitenciários, a comissão ouviu reivindicações, entre elas de aparelhamento, contratação de pessoal e melhor remuneração para os defensores. Dos 1,2 mil cargos do órgão, apenas 472 estão providos, segundo a defensora Marina Lage. No Estado, 61% das comarcas não contam com o profissional, que presta assistência jurídica ao preso que não tem condições de pagar por um advogado. O consenso entre os convidados foi de que somente com ações integradas dos operadores do Direito, governo e sociedade é possível resolver os problemas. Na reunião, tanto a Defensoria quanto o Ministério Público afirmaram que é determinação dos órgãos fazer com que seus profissionais saiam do gabinete e acompanhem de perto o andamento das penas.


Deputados solicitam documentos e informam agenda dos trabalhos


O relator, deputado Durval Ângelo (PT), avaliou que esse primeiro encontro reuniu "um mosaico das intervenções dos diversos órgãos". Ele solicitou que sejam encaminhados à comissão relatórios das ações da Defensoria, bem como o levantamento do quadro prisional de cada unidade administrada pela Polícia Civil. Atualmente, ainda há 11,9 mil presos sob sua guarda, distribuídos em 228 cadeias, sendo 13 na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A previsão é de que até 2011 eles sejam transferidos para a Suap, órgão da Secretaria de Estado de Defesa Social, informou a coordenadora do Núcleo de Gestão Prisional da Polícia Civil, Cláudia Calhau.

Durval Ângelo explicou que a comissão não é de visita a estabelecimentos prisionais e sim de estudos sobre a execução das penas. O deputado Wander Borges (PSB), que cobrou melhor remuneração para a Defensoria Pública, acredita que a comissão poderá chegar ao final dos trabalhos constatando o grau de intensidade com que cada órgão atua para resolver os problemas existentes. Para conhecer melhor o trabalho de cada um, foi aprovado inclusive, nesta quinta (2), requerimento do deputado Delvito Alves (DEM) de visita ao Comitê Integrado de Gestão da Política Prisional da Secretaria de Defesa Social. Já a expectativa do presidente, deputado João Leite (PSDB) é de que, a partir do trabalho da comissão, possam nascer novas leis que interfiram efetivamente na execução das penas.

A comissão realizará seminários em Pouso Alegre (Sul de Minas), Juiz de Fora (Zona da Mata), Montes Claros (Norte de Minas), Governador Valadares (Vale do Rio Doce) e Uberlândia (Triângulo).



Defensoria denuncia superlotação em Pouso Alegre; governo quer agilidade da Justiça

O defensor Cristiano Maia Luz trouxe à comissão o caso do presídio de Pouso Alegre, considerado "uma bomba-relógio" prestes a explodir. Segundo ele, o local abriga 360 detentos, quando deveria ter 81. O prédio está com infiltrações e, quando chove, as celas ficam inundadas. As condições foram consideradas desumanas pelo órgão, que está tomando providências judiciais. Em resposta, Guilherme Soares informou que será inaugurado neste semestre presídio com 396 vagas.

Cristiano Maia Luz citou, ainda, os casos de pelo menos dois presos provisórios de Pouso Alegre que foram mantidos no cárcere por vários meses, pois não tinham como comprovar residência e ocupação lícita. "Há um rigor excessivo do Ministério Público e do Judiciário quanto à manutenção das prisões cautelares", opinou, afirmando que o cidadão tem dificuldade para conseguir liberdade provisória. Para Guilherme Soares, o rigor da Justiça existe e é preciso romper com o paradigma da penalização. O diretor de Articulação do Atendimento Jurídico da Secretaria de Defesa Social, Alexandre Costa, sugeriu que a comissão volte seu olhar também para o processo penal, afirmando que existe "exacerbação na aplicação da pena, que gera uma execução desproporcional".

Na opinião de Costa, o grande gargalo do sistema é a resposta jurisdicional em tempo hábil. Ele citou o exemplo de Ribeirão das Neves (Região Metropolitana de Belo Horizonte), onde um despacho de progressão de regime pode demorar oito meses, relativo a uma pena média de cinco, seis anos. "O que angustia o preso é a falta de resposta", enfatizou ele, que opinou ser preciso dotar a Vara de Execução Criminal de mais estrutura. Ele cobrou uma ação mais rápida da Justiça e avaliou que o Tribunal de Justiça - que foi convidado para a reunião desta quinta (2) - deveria ser chamado com urgência ao debate.


Pastoral Carcerária sugere acompanhamento das famílias e cobra acesso às unidades

A secretária executiva da Pastoral Carcerária da Igreja Católica, Maria de Lourdes Oliveira e Silva, sugeriu à Secretaria de Defesa Social que seja criada uma secretaria de atendimento às famílias dos presos. Também sugeriu à comissão que possam participar dos trabalhos na Assembleia representantes do Grupo de Amigos e Familiares, dos agentes penitenciários e da sociedade.

Ela denunciou ainda que a Pastoral não tem acesso a todas as dependências das unidades prisionais, em especial os locais em que presos ficam "de castigo", disse. "Se não há o que esconder, por que o acesso não é permitido?", questionou, afirmando ser este o caso da Penitenciária Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves. Dinacarla Gonzaga, do Conselho Regional de Psicologia, confirmou dificuldades de acesso, relatadas ao conselho por representantes de movimentos sociais.

Em resposta, Guilherme Soares informou que o governo deverá criar em breve o Núcleo de Assistência à Família do Preso, que prestará assistência social e psicológica a esse grupo. O trabalho começará pela Penitenciária Estevão Pinto, em Belo Horizonte. Sobre a dificuldade de acesso às unidades, ele solicitou que a Pastoral encaminhe à Secretaria de Defesa Social relatório informando onde o problema está acontecendo.


Experiência bem-sucedida da Apac é lembrada

O gerente da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) de Itaúna, Alexandre Nogueira, e o juiz da comarca de Santa Luzia, Cristian Garrido Higuchi, falaram à comissão sobre a experiência bem-sucedida do método. "Não tem mistério", enfatizou o juiz, lembrando que, nessas unidades, a execução da pena é humanizada, com os presos sendo tratados com respeito, assistência jurídica, boa alimentação e ofertas de atividades artesanais, educativas e profissionais. Ele reafirmou o que outros convidados disseram: que a solução para o problema prisional está na integração das ações dos diversos órgãos, bem como da comunidade.

A importância dessa rede de relações foi reforçada por Alexandre Nogueira, que conta com o apoio dos empresários de Itaúna e de parceiros como o Instituto Marista. A média de ocupação dos dois centros de recuperação e reintegração social é de 135 a 140 homens e 20 a 25 mulheres. Para ele, o método Apac, que está hoje em 80 comarcas, deveria se estender para todos os municípios.

Fiscalização - A subcoordenadora do Centro de Apoio Operacional Criminal do Ministério Público, Vanessa Fusco, assegurou à comissão que a prioridade do órgão, neste momento, é fiscalizar pela boa execução penal. O comando para os promotores é que saiam dos gabinetes e verifiquem o que está acontecendo no cárcere. A exemplo dos defensores, ela também falou de questões emergenciais, como a inadequação das instalações das cadeias.

Também falaram à comissão especial o defensor público federal Estevão Ferreira Couto, que encaminhará levantamento sobre os presos provisórios acusados de crimes federais; a ouvidora-geral do sistema penintenciário, Marlene Alves de Almeida Silva, que também enviará relatório de visitas que estão sendo feitas a presídios; Mônica Peixoto, da Capelania Prisional da Convenção Batista Mineira, que esclareceu prestar apoio emocional e espiritual aos presos; e o assessor da Secretaria de Defesa Social no Núcleo de Gestão Prisional da Polícia Civil, Marcos Vinícius Cruz.

Presenças - Deputados João Leite (PSDB), presidente; Vanderlei Miranda (PMDB), vice; Durval Ângelo (PT), relator; Delvito Alves (DEM) e Wander Borges (PSB). Também participou Maria do Socorro Sanches Brandão, da Pastoral Carcerária.

Assembléia de MG instala Comissão Especial Para Fiscalizar Execução Penal

Comissão da Execução das Penas dá início a mapeamento de presídios


Um mapeamento detalhado da situação dos detentos nos estabelecimentos prisionais será a primeira ação da Comissão Especial da Execução das Penas no Estado. Criada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais para, no prazo de 60 dias, estudar e discutir as condições carcerárias do sistema prisional, a comissão definiu, ainda, na reunião desta quinta-feira (26/3/09), a realização de visitas e audiências públicas que irão subsidiar os deputados durante os trabalhos.

Segundo o presidente, deputado João Leite (PSDB), cerca de um terço dos presos no País já cumpriram pena e continuam encarcerados em decorrência da burocracia judicial e da carência das defensorias públicas. Para ele, essa é a principal causa da sobrecarga do sistema prisional em Minas e no Brasil. O relator da comissão, deputado Durval Ângelo (PT), reforçou as palavras do colega, ao afirmar que a questão da execução penal é fundamental no processo redução da violência de forma geral. "Temos que alterar a visão excludente da sociedade e tornarmos o sistema prisional mais eficiente, justo e menos burocrático", disse. Ele lembrou ainda que as Associações de Proteção e Assistência aos Condenados (Apacs), que já existem em cerca de 60 cidades mineiras, fazem parte dessa solução e tem ampliado o índice de recuperação social de detentos.

Requerimentos pedem informações e visitas da comissão

Durante a reunião, foram aprovados dez requerimentos, todos de autoria dos deputados Durval Ângelo e Wander Borges (PSB), que dão início aos encaminhamentos da comissão. Foi solicitada a realização de audiência pública para ouvir aqueles que são considerados os principais atores do sistema prisional do Estado. Para o encontro, serão chamados ao debate o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a Procuradoria-Geral do Estado, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), Subsecretaria de Administração Prisional, Subsecretaria de Direitos Humanos, Ouvidoria do Sistema Prisional, Polícia Civil, Pastoral Católica, Pastoral Evangélica e a Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (Febac).

Outros requerimentos solicitaram pedidos de informações diversos órgãos. À Subsecretaria de Administração Prisional e à Polícia Civil foram requeridas as relações de todos os presos em cada presídio do Estado, assim como os dados sobre o delito cometido por cada um, a pena, o período cumprido e a sua situação prisional. Ao Ministério Público foram pedidos os relatórios das visitas de promotores realizadas nos presídios do Estado entre os anos de 2007 e 2009. Ao TJMG, informações sobre o "Projeto Novos Rumos", que foi criado para tratar das Apacs. E à Defensoria Pública, informações sobre os resultados das ações estratégicas realizadas nos presídios municipais do Estado, com relatórios detalhados de cada uma das localidades visitadas.

Foi aprovado também requerimento que encaminha ofício à Subsecretaria de Administração Prisional, solicitando informações sobre a situação das crianças e adolescentes acautelados, que estão encarcerados junto com outros detentos.

Visitas - Finalmente, foram aprovadas visitas da comissão à Vara de Execuções Criminais da Região Metropolitana de Belo Horizonte, para que os deputados possam conhecer o trabalho realizado; e a outras quatro varas no interior, seguidas de audiências públicas, para conhecer a situação em diferentes regiões do Estado. Os cidades a serem visitadas serão definidas posteriormente.

Presenças - Deputado João Leite (PSDB), presidente da comissão; Durval Ângelo (PT); e Wander Borges (PSB).


Fonte: Assembléia Legislativa de Minas Gerais

quarta-feira, 11 de março de 2009


Contagem é a primeira cidade mineira a convocar a I Conferência de Segurança Pública


"O Pronasci é um programa tão importante e amplo que investirá maiores recursos em Segurança Pública, e usará a discução e debates nas Conseg's; um fórum que direcionará o setor enquanto política pública participativa nos caminhos a serem percorridos pelos entes federados, dentro da autonomia constitucional e que, agora, não dispensa a participação municipal" disse o vice-prefeito, Agostinho da Silveira, dia 12, na Câmara Municipal, exortando a sociedade civil, órgãos públicos e trabalhadores da área a participar da I Conferência Municipal de Segurança Pública (Conseg/Contagem) a se realizar do dia 25 a 29 de maio, em Contagem. Contagem é a primeira cidade mineira a lançar a Conferência.

Para o vice-prefeito, o fato da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) ter definido o tema "Justiça e Paz" para a Campanha da Fraternidade deste ano é oportuno e vem fortalecer o tema do Pronasci que permeia as Conseg's, em nível nacional. Simultaneamente, em Minas, estarão ocorrendo neste período as Conseg's dos outros cinco municípios participantes do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci): Belo Horizonte, Betim, Ibirité, Santa Luzia e Ribeirão das Neves, como a forma metropolitana de execução de uma política mais eficaz e articulada de segurança pública. Além destas, preparam também a sua Conseg, as cidades do interior do Estado, Montes Claros, Juiz de Fora, Uberlândia e Uberaba.

O Ministério da Justiça que criou o Pronasci para o período de 2008 a 2012, investirá neste R$ 7,6 bilhões, prioriza alguns projetos para cidades metropolitanas do País. Dentre as propostas do Pronasci estão atacar as causas da violência, recorrendo a ações sociais participativas, e outras preventivas voltadas a um público específico, além de capacitação e de valorização dos profissionais de segurança pública, novas tecnologias no sistema de repressão qualificada, etc. De forma inédita, inclui os prefeitos como gestores de recursos e de projetos num leque de 94 diretrizes de ação.

O vice-prefeito representou a prefeita Marilia Campos no evento convocando a etapa municipal eletiva da I Conferência Nacional de Segurança Pública, de Contagem conforme o Decreto Lei nº 1097/02/09. Na ocasião, foi composta a Comissão Organizadora Municipal (COM) da Conseg/Contagem que terá uma primeira reunião no próximo dia 5 no Centro Integrado de Defesa Social (CIDS-Contagem) para eleger mesa diretora e definir o plano de trabalho para a 1ª Conseg/Contagem. Para o vice Agostinho da Silveira, a Segurança é uma questão e necessidade não só do direito social, mas "existencial", diante a fragilidade social de tratamento do setor até então, e da escalada do crime organizado persistente nas fronteiras internacionais, nacionais e das cidades.

A Conferência Municipal é uma das etapas da inédita Conferência Nacional de Segurança Publica a se realizar de 27 a 30 de agosto em Brasília e ocorrerá com plenárias de segmentos, grupos de trabalhos temáticos e eleição de representantes municipais, resultando em propostas que seguirão para a etapa nacional. A etapa estadual será entre junho e julho.

Conseg Nacional
A Conseg/Nacional foi decretada pelo presidente Lula em dezembro e tem o objetivo de definir princípios e diretrizes orientadores para uma Política Nacional de Segurança Pública com a participação da sociedade civil, de órgãos públicos e dos trabalhadores do setor como um instrumento de gestão, visando a efetivar a segurança como direito fundamental. Entre objetivos específicos estão: contribuir para a implementação do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) e propor a reformulação da composição do Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp), do conselho gestor e da gestão do Fundo Nacional de Segurança Pública, com base na participação e integração dos entes federados (União, Estados e Municípios), trabalhadores e entidades da sociedade civil.

O secretario de Defesa Social de Contagem, Paulo Mattos, que coordenará a COM, e preside o Conselho M. de Defesa Social, disse que numa perspectiva dos direitos sociais e de participação política pautados na Constituição de 1988 e no contexto do Pronasci a "... segurança deixa de ser um assunto exclusivamente policial, passando a envolver várias áreas dos poderes constituídos e sociedade civil, buscando-se estratégias alternativas que possam contribuir para uma segurança mais eficaz". Para ele, o Conselho M de Defesa Social constitui um conjunto de representações capaz de dialogar com o Estado, fiscalizar e de apoiar as tarefas dos órgãos de Defesa, além de coordenar todo o esforço social em torno do objetivo de produzir melhor qualidade de vida para todos.

Segurança enquanto um direito social
Ao destacar que a Conseg/Nacional deflagra um processo mobilizador inédito no País entre órgãos, sociedade civil, trabalhadores e entidades interessadas ao tema, o consultor de mobilização em Minas Gerais da Conferência Nacional, Rodrigo Xavier lembrou que dentro dos diversos direitos sociais previstos na Constituição, a Segurança Pública é o único setor que não possui ainda um sistema de participação consolidado. "Pela primeira vez este processo vem suprir esta lacuna, efetivando um mecanismo importante de participação social nos rumos da política pública de Segurança", disse Rodrigo ao informar o site de notícias e informações sobre o processo das Conseg's: www.conseg.gov.br


Fonte: Portal da Prefeitura de Contagem
http://www.contagem.mg.gov.br/index.php?o=&f=1&idmateria=2646




Primeira reunião do Conselho Municipal de Defesa Social de Contagem

Com o objetivo de consolidar a participação social nas definições políticas para segurança pública e promover investimentos na união de esforços e ações para melhorias gerais no município de Contagem, a Câmara Municipal foi palco da 1ª Reunião do Conselho Municipal de Defesa Social na quinta-feira, dia 12. A Conferência também pretende consolidar a reestruturação do Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp) e mecanismos de participação no âmbito do Sistema Único de Segurança Pública (Susp). Durante o evento foram apresentados os nomes e as atribuições dos membros do Conselho e decretada a abertura da Etapa Municipal Eletiva da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg) através do vice-prefeito Agostinho da Silveira (representando a prefeita Marília Campos). Além do vice-prefeito, o presidente da Câmara vereador Irineu Inácio da Silva, também esteve presente. Integrando a Mesa diretora estava o secretário Municipal de Defesa Social, Paulo Mattos, o Consultor de Mobilização em Minas Gerais da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, Rodrigo Xavier, e Domingos de Castro, representando os membros do Conselho. Entre as autoridades presentes estavam os vereadores Obelino Marques, Ravilson de Almeida e Jerson Braga (Caxicó). Representantes da Guarda Municipal, da Polícia Civil e Militar, do Corpo de Bombeiros, Sistema Penitenciário, do Poder Judiciário e das associações de bairros também marcaram presença.

Fonte: O TEMPO CONTAGEM
http://www.otempo.com.br/otempocontagem/noticias/?IdEdicao=78&IdCanal=4&IdSubCanal=&IdNoticia=2282&IdTipoNoticia=1

Conferência Livre "Bases para a construção de uma Segurança Pública Cidadã"




Conferência motiva debates sobre segurança pública na Escola Superior Dom Helder Câmara


Platéia acompanha abertura da conferência livreA proposta de envolver diferentes atores da sociedade em um grande debate sobre segurança pública atraiu centenas de pessoas ao Espaço Loyola na noite da última sexta-feira (6), para a abertura da conferência livre Bases para a construção de uma Segurança Pública Cidadã.

Na platéia, representantes de diversas entidades como associações de moradores, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros; alunos da especialização, da graduação e professores da Escola Superior Dom Helder Câmara, demonstraram grande interesse em discutir o que se tornou um dos grandes problemas do país.

“Temos aqui uma platéia muito rica, que contribui para que as discussões sobre segurança pública ganhem novos contornos, com a participação efetiva da sociedade”, disse o professor João Batista Moreira, coordenador da conferência livre.

Promovido pela coordenação de pós-graduação da Escola Superior Dom Helder Câmara, o evento é uma preparação para a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (CONSEG), que será realizada em agosto. O objetivo é definir princípios e diretrizes orientadoras da política nacional de segurança pública visando efetivar a segurança como direito fundamental.

Para tanto, serão realizadas reuniões preparatórias em todo país. “Esta é a primeira conferência realizada em Minas Gerais. A Escola Superior Dom Helder Câmara está abrindo caminhos”, disse Rodrigo Xavier, representante da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP).

Ele compareceu ao evento para apresentar as propostas da Conferência Nacional e discutir o texto-base. Também participaram da mesa os professores Virgílio de Mattos e João Batista Moreira, da Dom Helder; o coronel José Teixeira, comandante da Guarda Municipal de Belo Horizonte; Mary Lúcia Anunciação, coordenadora da APAC Santa Luzia; e Frei Gilvander Moreira; pároco da Igreja do Carmo.

Segurança Pública

Durante toda a noite, o tema foi discutido de maneira enérgica, provocando tanto os representantes da mesa quanto a platéia presente, que reagia com aplausos e questionamentos.

Para abrir os debates, o coronel José Teixeira falou sobre o processo de formação e os benefícios da Guarda Municipal de Belo Horizonte, que conta hoje com 1946 integrantes. Segundo ele, a guarda atende hoje 100% dos postos de saúde e 75% das escolas da capital, entre outras funções.

Em seguida, Frei Gilvander rebateu afirmando que ainda temos desafios muito grandes a serem vencidos na área de segurança pública em Belo Horizonte e citou os cinco assaltos que sofreu nas ruas capital. “Este debate é muito importante, mas devemos olhar a partir de onde está sendo feito. Se for baseado em idéias de quem lucra com a violência, melhor que não aconteça”, provocou.

Segundo ele, é fundamental considerar a situação dos presos, ‘brutalmente confinados em masmorras’, dos pobres, negros e jovens. “Temos que olhar a partir deles”. Frei Gilvander foi ainda mais enérgico ao falar do medo disseminado na sociedade brasileira. “Os meios de comunicação são propaganda das classes dominantes e fabricam 90% do medo e da violência disseminados no país. Tem muita gente lucrando com isso, como as empresas de segurança”, afirmou.

Mary Lúcia Anunciação também fez críticas à ‘cultura do medo’ e condenou o atual sistema prisional brasileiro. “Como coordenadora da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados, posso dizer que o fracasso do sistema prisional vem desde o descobrimento do Brasil, nunca funcionou”, disse ao ressaltar que a discussão de políticas públicas para suprir esta necessidade é fundamental.

“Estamos vivendo um festival de barbaridades. Nos últimos seis anos, Minas avançou sim, na barbaridade”, completou o professor Virgílio de Mattos. Para ele, a conferência que teve início nesta noite é um momento histórico. “Pela primeira vez o Estado se aproxima, pela primeira vez a população se apresenta e diz sim. Hoje estamos construindo uma segurança pública de qualidade e cidadã”.

Os debates serão finalizados no dia 14 de março, com a apresentação de princípios e diretrizes sobre segurança pública.

Fonte: Escola Superior Dom Helder Câmara

sábado, 7 de março de 2009

Vídeo Institucional do "Programa Começar de Novo" do CNJ

"Programa Começar de Novo"


Lançado em Janeiro/2009 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o Programa “Começar de Novo”, tem como objetivo facilitar a reinserção de presidiários no mercado de trabalho, após o cumprimento da pena, por meio de ações que estimulem as empresas e a sociedade, de um modo geral, a aceitar e contratar estas pessoas. Tem a proposta, ainda, de oferecer educação e capacitação profissional para deixar estes ex-presidiários aptos para conseguir um emprego e, dessa forma, prontos para retornar ao convívio social.

A iniciativa, conduzida pelo CNJ, reúne uma série de medidas para dar mais efetividade às leis de execução penal e mudar a realidade da situação prisional no país. As ações incluem a realização de mutirões carcerários para avaliar a situação de presos em relação ao cumprimento da pena, e convênios com entidades como Sesi, Senai e Fiesp, para possibilitar o treinamento e a capacitação dos presos, visando à recolocação profissional.

Os mutirões reúnem juízes, representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública e servidores de tribunais, que analisam diversos processos a fim de proporcionar aos presos a progressão de regime de cumprimento de pena ou mesmo a soltura, quando cumprida a pena. Esse trabalho, já realizado pelo CNJ nos estados do Rio de Janeiro, Piauí, Pará e Maranhão, propiciou a liberdade de mais de mil presos. “Isso significa mais ou menos a população de três presídios de médio porte, verificando, portanto, pessoas que estavam presas em situação irregular”, ressalta o presidente do Conselho e do STF, ministro Gilmar Mendes.

No âmbito do programa, também está prevista a criação do sistema "Bolsa de Vagas", para centralizar no CNJ a oferta de postos de trabalho por parte de empresas que se disponham a engajar-se no projeto. O Conselho Nacional de Justiça encaminhará as informações sobre as vagas disponíveis às Varas de Execução Criminal existentes nos estados.

Reinserção

Para dar o exemplo, a Corte Suprema assinou, neste mês, um convênio com o governo do Distrito Federal em que se propõe a receber, a partir de 2009, 40 pessoas sentenciadas, egressas de prisões. Os sentenciados trabalharão de seis a oito horas dando apoio administrativo ao Tribunal, por até um ano cada. Pelo serviço ganharão de R$ 550 a R$ 650, vale transporte e auxílio alimentação. Os candidatos à ressocialização necessariamente deverão estar cumprindo pena em regime semi-aberto, condicional ou domiciliar.

Recomendação

Também para incentivar a participação de outros órgãos em iniciativas semelhantes, o CNJ aprovou a Recomendação nº 21, sugerindo que os tribunais mobilizem-se em ações de recuperação social de presos, alertando para a necessidade de medidas concretas de capacitação profissional aos egressos do sistema prisional. O documento prevê o aproveitamento de mão-de-obra para serviços de apoio administrativo, no Poder Judiciário, por meio de convênios com as secretarias de Estado, responsáveis pela administração carcerária, como foi feito no STF.

Campanha

Produzido pela Fundação Padre Anchieta e veiculado gratuitamente pelas emissoras, o material da campanha de divulgação do “Começar de Novo” - dois filmetes e um spot para rádio de 30 segundos cada - mostra a necessidade de deixar de lado o preconceito. “Dê uma segunda chance para quem já pagou pelo que fez. Ignorar é fácil, ajudar é humano” é a mensagem de uma das peças.

A outra retrata a saída da prisão de um personagem, Marcos, após cumprir a pena, e lança um desafio: “O projeto 'Começar de Novo', do CNJ, está dando liberdade para muitos brasileiros, como o Marcos. E você, vai atirar a primeira pedra ou vai ajudar?”

A campanha institucional pode ser veiculada pelas emissoras de rádio e televisão interessadas em apoiar o programa. As peças estão disponíveis para download no site do CNJ.

Hoje o Brasil possui aproximadamente 440 mil presos.

Fonte: CNJ

quinta-feira, 5 de março de 2009

Réu que não se apresentou à Justiça poderá recorrer da condenação


Notícias STF Imprimir Quinta-feira, 05 de Março de 2009




O Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu, nesta quinta-feira, que mesmo na condição de revel (desaparecido para a Justiça), um réu tem o direito de apresentar o recurso de apelação. A decisão do Plenário foi unânime e segue a mesma orientação de julgamentos semelhantes ocorridos anteriormente na Corte.

O relator, ministro Joaquim Barbosa, defendeu a admissibilidade da apelação ao observar os princípios da não-culpabilidade, do duplo grau de jurisdição e da ampla defesa. Ele foi seguido pelos demais ministros.

O caso concreto analisado foi o de José Aristides de Paula, condenado em primeira instância à reclusão de 30 anos por latrocínio (roubo seguido de morte). “Ele ficou foragido durante todo o curso do processo criminal, não tendo o TJ-RJ analisado a apelação interposta pela defesa em razão da revelia”, sintetizou a ministra Ellen Gracie, que teve vista do processo – o Recurso em Habeas Corpus (RHC) 83810. A apelação foi feita pela Defensoria Pública do estado.

A decisão do Supremo é contrária às anteriores, do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, segundo os quais José Aristides não poderia recorrer estando foragido. Essa tese já foi motivada pelo artigo 594 do Código de Processo Penal, revogado no ano passado pela Lei 11.719. Ele impedia o réu de apelar (da sentença) sem recolher-se à prisão, ou prestar fiança, salvo se for primário e de bons antecedentes, assim reconhecido na sentença condenatória.

No processo penal brasileiro, em regra, o réu deve responder à ação em liberdade. Essa condição pode ser revista se o juiz, em decisão fundamentada, reconhecer a presença dos requisitos da prisão preventiva, como consta no artigo 312 do Código de Processo Penal.

Após o acórdão ser publicado, o TJ-RJ deverá fazer um novo exame de admissibilidade da apelação de José Aristides de Paula.

Fonte:
http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=104216

quarta-feira, 4 de março de 2009

sábado, 7 de fevereiro de 2009

STF garante a réu direito de recorrer em liberdade

Por sete votos a quatro, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu, nesta quinta-feira (05), o Habeas Corpus (HC) 84078 para garantir a Omar Coelho Vítor o direito de recorrer em liberdade. Ele foi condenado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Passos (MG) à pena de sete anos e seis meses de reclusão, em regime inicialmente fechado, por tentativa de homicídio duplamente qualificado (artigos 121,parágrafo 2º, inciso IV, e 14, inciso II, do Código Penal -CP).

Segundo informa o STF, os ministros Eros Grau, Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Marco Aurélio, Celso de Mello e Gilmar Mendes se posicionaram pela concessão do habeas. Já os ministros Carlos Alberto Menezes Direito, Joaquim Barbosa, Cármen Lúcia Antunes Rocha e Ellen Gracie, vencidos na votação, pronunciaram-se pela possibilidade da prisão provisória.


Prevaleceu a tese de que a prisão, antes da sentença condenatória transitada em julgado, contrariaria o artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal (CF), segundo o qual “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.

"Estou absolutamente certo de que esta é uma decisão histórica e importante do Tribunal”, afirmou o ministro Gilmar Mendes, ao comentar o julgamento.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Tributo a Louk Hulsman - (1923-2009)



“Do mesmo modo que foi preciso vencer a força da gravidade para explorar o mundo exterior à Terra, é preciso sair da lógica do sistema penal para poder conceber uma sociedade em que este tenha desaparecido.” (Louk Hulsman)


Louk Hulsman, morreu em 29 de janeiro de 2009.

Louk Hulsman foi um abolicionista penal de muitas palavras, gestos delicados, sorrisos tranqüilos, falas convincentes, presença surpreendente e de poucos escritos.

Um pouco de seu jeito está no Nu-Sol, desde 1997, quando realizamos em parceria com o Instituto Brasileiro de Criminologia e a Pós-graduação em Ciências Sociais da PUC-SP as Conversações abolicionistas. O livro permanece esgotado, mas a contundente exposição de Hulsman foi reeditada na Revista Verve 3 http://www.nu-Sol.org/verve/verveview1.php?id=3 e ali se encontra na companhia de outros de seus escritos e entrevistas.

A presença de Louk Hulsman está relacionada à disseminação de seu irreversível entusiasmo e precioso rigor intelectual na luta incessante pelo fim das punições e dos encarceramentos. Uma luta que se desenrola nas universidades e nos movimentos sociais, e que conta com os guerreiros defensores da liberdade sem castigo.

Para Hulsman, o abolicionismo penal é um estilo de vida. Não é utopia; é para acontecer agora, no planeta e em cada um. Para ele, o fim do castigo começa com sua abolição em nós mesmos.

Hulsman foi o intelectual e ativista sempre em formação, experimentando liberdades, por conversações, atento às macabras negociações dos portavozes, dos profetas, dos representantes, e daqueles que pretenderão falar em seu nome.

Louk Hulsman foi, também, Professor Emérito da Universidade de Roterdã e muitas coisas mais. Foi, em especial, um andarilho libertário atravessando e alterando rotas previsíveis, tornando mais fácil e necessário acabar com prisões e punições: tudo pode começar com um simples QUERER.

Escreveu Penas perdidas, em 1982, em companhia de Jacqueline Bernat de Célis, traduzido para o português e que permanece esgotado.

Louk Hulsman afirmou o abolicionismo penal libertário. Andamos com ele.


Nu-Sol / Núcleo de Sociabilidade Libertária

www.nu-sol.org

Licitação da PPP Penitenciária inicia última fase

03/02/2009

A Comissão de Licitação da Parceria Público-Privada – PPP Penitenciária emitiu parecer favorável à proposta comercial apresentada pelo consórcio Gestores Prisionais Associados (GPA) para a construção, gestão e manutenção de complexo penitenciário em Ribeirão das Neves, na RMBH, em sessão pública realizada na Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) nesta terça-feira (03.02). A abertura do envelope com a proposta econômica é uma das fases do processo de licitação, que prossegue agora com a análise da proposta arquitetônica.

O consórcio GPA, único pré-qualificado na primeira fase da licitação, é composto pelas empresas CCI Construção S.A., Construtora Augusto Velloso S.A., Empresa Tejofran de Saneamento e Serviços Ltda., N.F. Motta Construção e Comércio Ltda. e Instituto Nacional de Administração Prisional Ltda. (Inap).

Segundo o empreendedor público da Seds responsável pelo projeto da Parceria Público-Privada, Marcos Siqueira, trata-se de experiência inédita na América Latina, por estabelecer que o concessionário seja o responsável pela arquitetura e construção do equipamento . “No Chile e no México, onde também foram adotadas PPPs, esse quesito fica por conta do poder público”, exemplificou. Siqueira explica que alguns critérios devem ser obedecidos para que esta etapa também seja cumprida, como o tamanho da cela compatível com o número de presos ocupantes, a não utilização de espaços no subsolo e a construção de uma sala de aula para cada bloco, num total de cinco por unidade.

O complexo terá capacidade para 2.920 a 3.040 sentenciados do sexo masculino, distribuídos em unidades com capacidade mínima de 240 vagas e máxima de 640 vagas. Serão cinco unidades (três para o regime fechado e duas para o semiaberto), além de um centro de apoio.

Tão logo o processo licitatório seja concluído, o que deve acontecer até de março de 2009, haverá o início da construção, que deve durar cerca de 18 meses. A meta é de que as obras estejam concluídas no segundo semestre de 2010.


Sobre a PPP

Através do projeto, que integra o Programa de Ampliação e Modernização do Sistema Prisional, o Governo de Minas apresenta um novo modelo de gestão penitenciária. A PPP busca associar a captação de recursos privados com a capacidade governamental de prover infraestrutura, aumentando a qualidade do investimento público. O ente privado se responsabiliza pelo desenho do projeto arquitetônico, além do financiamento, construção e manutenção do complexo. O ente público é responsável pela direção em questões disciplinares e de segurança, pela segurança externa e de muralhas e pela realização do transporte de sentenciados.

Com isso, haverá ganhos na qualidade dos serviços prestados e na manutenção de um ambiente propício à ressocialização dos detentos, como já ocorre nas 84 unidades da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi), da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds).

O contrato será de 27 anos, sendo dois dedicados à construção dos prédios e o restante à operação do complexo. Através dessa ação, deverão ser gerados mais de 1.500 postos de trabalho diretos e indiretos.


Fonte: SEDS/MG -

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Minas avança na humanização do sistema prisional


22/01/2009

Quando as 39 mães e seus bebês e as seis grávidas, atualmente acauteladas no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto (PIEP), chegaram ao Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade, inaugurado nesta quarta-feira (21), em Vespasiano, Região Metropolitana de Belo Horizonte, encontraram um ambiente que em nada lembra uma unidade prisional. No lugar de celas, grandes quartos com camas, berços e até alguns “mimos” como shampoos, sabonetes e hidratantes infantis. Consultórios dentários, pediátricos e ginecológicos também estão montados e com profissionais a postos, além de analistas técnico-jurídicos, psicólogos e assistentes sociais.
O secretário de Estado de Defesa Social, Maurício Campos Júnior, destacou a importância de se ter um modelo prisional diferenciado, trabalhando a perspectiva de ressocialização e humanização da execução da pena. “Privá-las de liberdade e fechar os olhos à suas peculiaridades é algo que a Defesa Social de Minas Gerais e o Governo de Minas não pretendem fazer”, declarou.

Ele comparou a inauguração do Centro a um “parto”, levando-se em conta todos os desafios vencidos para que ele se tornasse realidade. A unidade era um projeto que vinha sendo acalentado há alguns anos, inclusive por ex-secretários como o atual vice-governador Antonio Augusto Anastasia. Com o crescente fenômeno da taxa de encarceramento feminina, especialmente a partir de 2007, foi necessário unir esforços e buscar parceiros. “A prisão de mulheres leva à desagregação familiar maior que a de homens, o que trás reflexos para toda a sociedade e isso também nos preocupava”, explicou o secretário.

O subsecretário de administração prisional, Genilson Zeferino, disse que a iniciativa era muito mais do que uma prestação de contas à sociedade, uma vez que todas as pessoas envolvidas tiveram uma surpreendente sensibilidade e se empenharam bastante. O Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade vai abrigar detentas grávidas a partir do 7º mês de gestação ou que ainda tenham a guarda dos filhos.

Sem grades

O presídio não possui grades, tornando o ambiente mais propício à presença de crianças. O espaço de 4 mil metros quadrados, onde antes funcionava uma clínica, passou por reformas e foi adaptado para proporcionar um contato mais próximo, terno e saudável entre mães e filhos. No galpão dos fundos da casa, lê-se a célebre frase da escritora Cecília Meireles: “Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta; não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”. E é lá que vão funcionar oficinas profissionalizantes, atividades lúdicas e também onde deverá ser instalada a brinquedoteca para as crianças.

Única unidade prisional do país em que todas as agentes penitenciárias são técnicas em enfermagem, o local contará também com uma equipe multidisciplinar, formada por uma pediatra, ginecologista, dentista, psicólogas, assistentes sociais, terapeuta ocupacional e analista técnico jurídico.

“Queremos estimular o vínculo entre mãe e filho e usar isso como incentivo à ressocialização. Quanto mais ligadas à criança, mais vontade de sair para dar continuidade à sua criação elas terão”, afirmou a pediatra do Centro de Referência, Rúbia de Souza Teixeira. “A permanência das crianças com a mãe é fundamental, além de somar no processo de ressocialização das detentas”, completou. A equipe de saúde tem ainda outro desafio: preparar as detentas emocionalmente para o momento da separação. “Triste vai ser, mas temos que garantir que não seja traumático. As mães tem de ter a certeza de que os bebês estarão bem e seguros”, afirmou.

Futuro melhor

Grávida de nove meses, Taciane Pereira Vaz gostou do novo endereço. “É como se minha vida começasse a mudar de verdade agora. Aqui vamos ter toda assistência. Sinto como se me dessem uma chance para um futuro melhor”, disse a detenta abrigada pelo Centro. O subsecretário Genilson Zeferino considera o Centro de Referência um marco no aprisionamento de mulheres. “O que vamos fazer aqui é uma evolução do que desenvolvíamos na Penitenciária Estevão Pinto, onde mães e bebês ficavam antes desta inauguração.

A grande diferença está na equipe técnica, especificamente treinada na área de saúde, e no ambiente, menos pesado que o de uma prisão convencional. Com isso, demos um salto no que diz respeito ao acautelamento de gestantes”, ressaltou.
A formação técnica das agentes penitenciárias possibilita pronto atendimento em casos de emergência e demandas de pré e pós parto e cuidados com o recém-nascido, amamentação, cura do umbigo e doenças de menor gravidade em crianças até um ano.

A exemplo das outras 83 unidades administradas pela Seds, o Centro de Referência também vai oferecer atividades profissionalizantes, dentre elas a fabricação de fraldas, móveis de bambu e outros produtos artesanais.

A notícia agradou a detenta Mariela Alves Mendes: “Além de cuidar dos nossos filhos, vamos poder trabalhar. Essa experiência profissional vai me ajudar a conseguir um emprego quando eu sair daqui. Então, vou fazer faculdade e dar um futuro melhor para minha filha”, planeja.

Hoje, 1.827 detentas cumprem pena em unidades administradas pela Seds, 20 grávidas com menos de sete meses de gestação, seis com mais de sete meses e outras 39 com filhos ainda sob sua guarda.
Para a nova unidade, serão transferidas 39 mães e filhos e seis grávidas. As detentas em outros estágios de gestação, que já estão no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto (em Belo Horizonte), permanecerão nesse local.

Será estabelecida uma programação regular de atividades lúdicas e educativas para as crianças, proporcionando-lhes um início de vida alegre, que em nada lembre um ambiente de privação de liberdade. O bebê poderá ficar com a mãe até completar um ano. Após esse período, a Justiça decidirá sobre a guarda da criança.

Um técnico jurídico e uma assistente social já iniciaram os trabalhos de revisão dos processos das detentas que ficarão no Centro, verificando a possibilidade de progressão de regime (do fechado para o semiaberto e aberto) e outras demandas nessa área, como pedidos de pensão e teste de DNA.


Fonte: Secretaria de Estado de Defesa Social/MG

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Consórcio apresenta proposta para construir complexo penitenciário na RMBH

Belo Horizonte (19/12/2008) - O Governo de Minas, por meio das Secretarias de Estado de Desenvolvimento Econômico (SEDE) e de Defesa Social (SEDS), sob a coordenação da Comissão Especial de Licitação, deu mais um passo, na tarde desta sexta-feira (19), visando à construção e gestão de um complexo penal na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) com capacidade para três mil vagas prisionais. O projeto integra o Programa de Ampliação e Modernização do Sistema Prisional e traz inovações no modelo de gestão penitenciária.

Dentro do processo de pré-qualificação dos interessados em participar do empreendimento mediante o regime de Parceria Público-Privada (PPP), a Comissão de Licitação recebeu o envelope com a proposta do Consórcio GPA – Gestores Prisionais Associados, constituído pelas empresas CCI – Construções S/A, Construtora Augusto Velloso S/A, Empresa Tejofran de Saneamento e Serviços Ltda, N.F Motta Construções e Comércio Ltda e Inap – Instituto Nacional de Administração Prisional Ltda.

Os envelopes rubricados pela Comissão contêm a proposta econômica e habilitação e agora a próxima etapa do processo consiste no julgamento interno da pré-qualificação, cujo resultado será publicado no “Minas Gerais”, o Órgão Oficial do Estado. Para que o consórcio seja aprovado, a documentação necessita estar de acordo com os termos do Edital SEDS n° 001/2008, de julho último. Qualquer falha na documentação implica a desclassificação do consórcio e a licitação ficará sem efeito.

As empresas que integram o consórcio declararam que já possuem experiência em administração prisional, segurança, ressocialização e construção de unidades penitenciárias. No momento, trabalham em regime de co-gestão com as prisões de Viana e Colatina, no Espírito Santo.

PRESÍDIO DIFERENTE - O Complexo Penal da Região Metropolitana de Belo Horizonte deverá ser construído na Zona Norte do município de Ribeirão das Neves e o contrato terá vigência de 27 anos, sendo dois dedicados à construção dos prédios e o restante à sua operação. Durante a fase de construção deverão ser gerados mais de 500 postos temporários de trabalho. Na fase de operação estima-se que o complexo demande a criação de cerca de 1.500 novos postos de trabalho.

O seu maior objetivo é aliviar a pressão existente hoje sobre o sistema carcerário, com a criação de três mil vagas para sentenciados do sexo masculino que cumprem pena nos regimes fechado e semi-aberto. O processo de licitação prevê que o participante apresente o projeto arquitetônico para o complexo, observando os critérios mínimos definidos no edital e na Lei de Execução Penal (LEP).

O parceiro privado também ficará responsável pelo financiamento e construção da obra e pelo plano de manutenção e sua execução pelo período de vigência do contrato. Será responsável pela operação dos serviços previstos no contrato, que incluem atividades educativas e de formação profissional, fornecimento de refeições, tratamento de saúde, atendimento psicológico e assistência jurídica aos presos.

Ficará responsável, ainda, por desenvolver todas essas atividades dentro de elevados padrões de operacionalidade e adequada gestão dos internos, otimizando o uso dos recursos públicos e contribuindo para aumentar a taxa de reintegração social dos sentenciados. Itens como higiene, iluminação, segurança, programas de ressocialização de presos, incluindo a educação e o trabalho, por exemplo, serão periodicamente avaliados.

O projeto não prevê a transferência da gestão da segurança para o concessionário. Toda intervenção coercitiva junto aos internos permanecerá sob a responsabilidade do Estado. Os agentes de monitoramento contratados pela concessionária para acompanhar as atividades internas do complexo não poderão usar armas. Permanecerá sob a responsabilidade do Estado o transporte dos sentenciados e a segurança externa e das muralhas. Um agente público será nomeado diretor das penitenciárias e ficará encarregado pela coordenação e pelas medidas de segurança das unidades.


Fonte: Governo de Minas Gerais - Secretaria de Desenvolvimento Econômico

domingo, 18 de janeiro de 2009

Lula sanciona interrogatório por videoconferência

Brasília, 09/01/09 (MJ) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou nesta quinta-feira (08) o Projeto de Lei 11.900/09, que altera o Código de Processo Penal e permite o uso de videoconferência ou outro recurso de transmissão de sons e imagens em tempo real, em situações excepcionais, para interrogatório de réus presos. A videoconferência poderá ser usada quando houver risco à segurança pública, no caso de réu que comprovadamente integre organização criminosa, ou quando existir dificuldade para que o preso compareça em juízo - enfermidade, por exemplo.

O projeto, fruto de negociação entre o Ministério da Justiça, o governo de São Paulo e o Congresso Nacional, permite ao juiz interrogar o réu preso, em sala própria, no próprio presídio (ou outro estabelecimento penal). Mas desde que “garantidas a segurança do juiz, do membro do Ministério Público (MP) e dos auxiliares, bem como a presença do defensor e a publicidade do ato”.

Para zelar pela segurança do depoimento, a sala reservada no estabelecimento prisional para a realização de atos processuais por sistema de videoconferência será fiscalizada pelos corregedores e pelo juiz de cada causa, além do Ministério Público (MP) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Pedro Abramovay, esclarece que o juiz tem de ir ao presídio para interrogar o preso e que o novo sistema só pode ser usado se não comprometer a defesa do réu.

A nova modalidade de depoimento poderá ser usada, ainda, para impedir que o réu intimide uma testemunha, para “responder a gravíssima questão de ordem pública”, ou quando for necessário ouvir uma testemunha de outra comarca. A proposta também preserva o direito de o preso conversar previamente com seu defensor por canais reservados de comunicação.Abramovay lembrou que entre os benefícios imediatos da nova lei está a economia para os cofres públicos e até o conforto do detento, que muitas vezes tem que se deslocar para outro estado para depor em sua comarca.


Fonte: Ministério da Justiça

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

CNJ e STF lançam programa para reinserção de presos no mercado de trabalho

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF) lançaram, na segunda-feira (29/12), o programa "Começar de Novo", que busca sensibilizar a população para a necessidade de reinserir, no mercado de trabalho e na sociedade, presos que já cumpriram suas penas. Emissoras de rádio e TV de todo o país divulgam gratuitamente a campanha institucional do projeto, que permanecerá no ar por dois meses.

A iniciativa, conduzida pelo CNJ, reúne uma série de medidas para dar mais efetividade às leis de execução penal e mudar a realidade da situação prisional no país. As ações incluem a realização de mutirões carcerários para avaliar a situação de presos em relação ao cumprimento da pena, e convênios com entidades como Sesi, Senai e Fiesp, para possibilitar o treinamento e a capacitação dos presos, visando à recolocação profissional.

Os mutirões reúnem juízes, representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública e servidores de tribunais, que analisam diversos processos a fim de proporcionar aos presos a progressão de regime de cumprimento de pena ou mesmo a soltura, quando cumprida a pena. Esse trabalho, já realizado pelo CNJ nos estados do Rio de Janeiro, Piauí, Pará e Maranhão, propiciou a liberdade de mais de mil presos. “Isso significa mais ou menos a população de três presídios de médio porte, verificando, portanto, pessoas que estavam presas em situação irregular”, ressalta o presidente do Conselho e do STF, ministro Gilmar Mendes.

No âmbito do programa, também está prevista a criação do sistema "Bolsa de Vagas", para centralizar no CNJ a oferta de postos de trabalho por parte de empresas que se disponham a engajar-se no projeto. O Conselho Nacional de Justiça encaminhará as informações sobre as vagas disponíveis às Varas de Execução Criminal existentes nos estados.

Reinserção

Para dar o exemplo, a Corte Suprema assinou, neste mês, um convênio com o governo do Distrito Federal em que se propõe a receber, a partir de 2009, 40 pessoas sentenciadas, egressas de prisões. Os sentenciados trabalharão de seis a oito horas dando apoio administrativo ao Tribunal, por até um ano cada. Pelo serviço ganharão de R$ 550 a R$ 650, vale transporte e auxílio alimentação. Os candidatos à ressocialização necessariamente deverão estar cumprindo pena em regime semi-aberto, condicional ou domiciliar.

Recomendação

Também para incentivar a participação de outros órgãos em iniciativas semelhantes, o CNJ aprovou a Recomendação nº 21, sugerindo que os tribunais mobilizem-se em ações de recuperação social de presos, alertando para a necessidade de medidas concretas de capacitação profissional aos egressos do sistema prisional. O documento prevê o aproveitamento de mão-de-obra para serviços de apoio administrativo, no Poder Judiciário, por meio de convênios com as secretarias de Estado, responsáveis pela administração carcerária, como foi feito no STF.

Campanha

Produzido pela Fundação Padre Anchieta e veiculado gratuitamente pelas emissoras, o material da campanha de divulgação do “Começar de Novo” - dois filmetes e um spot para rádio de 30 segundos cada - mostra a necessidade de deixar de lado o preconceito. “Dê uma segunda chance para quem já pagou pelo que fez. Ignorar é fácil, ajudar é humano” é a mensagem de uma das peças.

A outra retrata a saída da prisão de um personagem, Marcos, após cumprir a pena, e lança um desafio: “O projeto 'Começar de Novo', do CNJ, está dando liberdade para muitos brasileiros, como o Marcos. E você, vai atirar a primeira pedra ou vai ajudar?”

A campanha institucional pode ser veiculada pelas emissoras de rádio e televisão interessadas em apoiar o programa. As peças estão disponíveis para download no site do CNJ.
Hoje o Brasil possui aproximadamente 440 mil presos.


Fonte: Associação Pela Reforma Prisional
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