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terça-feira, 8 de junho de 2010

Quase 25 mil criminosos estão soltos em Minas


Acusados de homicídio, traficantes e pessoas que devem pensão alimentícia não são encontrados pela polícia


Minas Gerais tem 24.955 pessoas com mandados de prisão expedidos pela Justiça e que não são encontradas pela polícia. O número de foragidos representa a metade da população carcerária do Estado. Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil, o número de mandados em aberto é grande por falta de efetivo da polícia para localizar os presos. A maior parte das ordens de prisão é contra traficantes, acusados de homicídios e pessoas que devem pensão alimentícia.


Entre as dez maiores cidades do Estado, Paracatu, no Noroeste, tem o maior número de foragidos em relação à população municipal: um para cada grupo de 195 moradores. Segundo o Tribunal de Justiça, o município de 83 mil habitantes e 424 foragidos. Enquanto isso, em Belo Horizonte são 2.070 mandados de prisão sem cumprir, uma média de um foragido para 1.176 habitantes.

Até o final de abril de 2009 o Tribunal de Justiça de Minas tinha 30 mil mandados de prisão em aberto. Para a diretora de Comunicação da Associação dos Magistrados de Minas Gerais (Amagis), juíza Rosimere das Graças do Couto, a maioria dos mandados é de prisões temporárias e preventivas. No setor de inquéritos das 12 varas criminais do Fórum Lafayette, onde a juíza trabalha, são cerca de 26 mil processos. “Nos últimos anos, a polícia tem prendido mais, mas muitas pessoas que estão na lista de foragidos não são encontradas pelo fato de o endereço estar errado ou por mudarem para outro Estado”, constatou.

Segundo a direção nacional da OAB, no Brasil são cerca de 350 mil foragidos da Justiça. O déficit de vagas nas prisões é de cerca de 90 mil. O advogado Bruno Marçal Aguiar, especialista em processo de pensão alimentícia, em algumas cidades, como Governador Valadares, no Leste do Estado, onde são 808 foragidos, há várias pessoas morando clandestinamente nos Estados Unidos, motivo de não terem como ser localizadas pela polícia. “Há vários mandados de prisão temporária, que valem cinco dias, acabam perdendo a validade, mas não saem do banco de dados da polícia”, disse.


Fonte: Jornal Hoje Em Dia - 27/05/2010

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