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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Falta vaga e doente mental vai para rua


MP aponta 630 pessoas com transtornos envolvidas em crimes, mas só 230 encontram-se internadas em hospital.


Minas está colocando presos com problemas mentais na rua por falta de vagas em instituição psiquiátrica judiciária. Dados levantados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) mostram que, atualmente, existem cerca de 630 pessoas com transtornos envolvidas em crimes. No entanto, apenas 230 encontram-se internadas no Hospital Psiquiátrico Jorge Vaz, em Barbacena, na Região Central do Estado. Outros 210 dividem espaço com detentos comuns em cadeias públicas. O restante foi liberado.

O coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias Criminais, de Execução, do Tribunal do Júri e da Auditoria Militar, do MPMG, Joaquim José Miranda, admite a gravidade da situação. “Muitos cometeram delitos hediondos, como estupro ou homicídio, e ainda oferecem risco à sociedade”, pondera.

O promotor também alerta para a presença de sentenciados em cadeias públicas. Miranda enfatiza que, por serem deficientes mentais, os cidadãos não poderiam cumprir pena e sequer ocupar a cela de uma prisão. “O convívio conflituoso entre eles e os presos geram agressões mútuas. Há até casos de mutilação”, relatou, mencionando que estas pessoas fazem uso de medicamentos controlados e precisam de acompanhamento constante.

Na quinta-feira (28), Miranda se reúne com autoridades prisionais para discutir o quadro. Ele defende a abertura de leitos em hospitais judiciários, que priorizem o tratamento humanizado. “O Jorge Vaz presta serviços de alto nível. Os psicólogos, terapeutas e demais profissionais têm tido sucesso no trabalho de recuperação dos sentenciados”, elogia o representante do MP.

O psiquiatra forense e criminal, Paulo Roberto Repsold, destaca a complexidade do problema pelo fato de a demanda superar a oferta. Para o médico, pessoas portadoras de doenças controláveis não deveriam ser mantidas internadas. “Diagnosticada a viabilidade da volta ao meio social, aconselho o atendimento na rede pública de saúde, ao lado dos familiares”, comenta.

Repsold lembra que se um juiz atestou o laudo de deficiência mental do cidadão e determinou a medida de segurança é porque o criminoso não entende o que fez. “A internação efetiva torna-se necessária quando traços da personalidade do paciente apresentam comportamentos psicopáticos. O descontrole e o prazer da conduta violenta se evidenciam”, diz o psiquiatra.

Segundo o especialista, somente o risco de reincidência atesta a permanência nos hospitais judiciários. A lei federal 10.216/2001 determina esta mesma posição ao incentivar a internação no momento em que os “recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes”.


Secretaria de Defesa Social atualiza listagem

A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) providencia, em conjunto com o Tribunal de Justiça de Minas, a avaliação individual de todos os presos, além de lhes garantir assistência jurídica, clínica e social. Em dois meses, os órgãos esperam finalizar a listagem e encaminhar pacientes a abrigos públicos e a leitos da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). Hospitais e instituições médicas, como o Instituto Raul Soares, na capital, já disponibilizam e recebem pacientes.

Joaquim José Mirada, promotor do Ministério Público de Minas aprova a iniciativa, pois certas famílias não aceitam mais os sentenciados. “Alguns crimes possuem relação com indivíduos próximos, e existe a rejeição. O Governo tem mesmo de investir na abertura de residências terapêuticas para assistí-los. Assim, sobrariam vagas no Hospital Psiquiátrico e Judiciário de Barbacena”, analisa Miranda.



Fonte: Jornal Hoje Em Dia - 28/10/2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

PT e PSDB descumprem metas de vagas em prisões


Nem o governo federal, de Dilma Rousseff (PT), nem o governo paulista, de José Serra (PSDB), conseguiram cumprir suas próprias metas de ampliação de vagas em presídios nos últimos anos.

Em 2007, o Ministério da Justiça lançou o programa Pronasci, que previa verbas federais para que os Estados construíssem 46,4 mil vagas, até 2012, em presídios para homens de até 29 anos e em presídios para mulheres.

Até agora, entretanto, foi acertada com os Estados a construção de apenas 6.736 vagas em 16 novos presídios (14,5% das vagas previstas), sem data para ficar prontas.

Diante da dificuldade para executar o plano, o governo federal abandonou a meta.

"Isso ocorre por causa de dificuldades enfrentadas pelos Estados", diz Glaucia Elaine de Paula, chefe de gabinete do ministro da Justiça.

Segundo ela, as dificuldades mais comuns são três: 1) os municípios não aceitam abrigar presídio, 2) os Estados têm dificuldade para contratar agentes penitenciários e 3) os Estados não conseguem apresentar todos os alvarás e licenças necessários para erguer um presídio.

Além do programa Pronasci, o Ministério da Justiça libera dinheiro para novos presídios seguindo a demanda apresentada pelos Estados. É preciso haver contrapartida estadual.

"Dinheiro [federal] não falta", afirma a chefe de gabinete, acrescentando que o governo federal investe também em programas de reinserção social de presos e já aprovou a construção, no DF, do quinto presídio federal de segurança máxima.


SÃO PAULO

Em São Paulo, o governo previa construir 37.370 vagas entre 2008 e 2011. Entregou até agora 3.872 e promete fechar o ano com 6.456 vagas entregues (17,27% da meta).

Diz que outras sete unidades estão em construção, com mais 5.600 vagas, mas não há previsão de término. E que há R$ 1,5 bilhão para a "construção de 49 unidades", também sem data para entrega. Aponta resistência de prefeitos como obstáculo.

"O andamento e a implantação desse projeto tem encontrado forte resistência, especialmente das prefeituras comandadas pelo PT", diz o Estado, por nota.

Apesar da superlotação, SP diz ter "a situação penitenciária estável" e aponta falta de diálogo do governo federal com os Estados.

"Desde a posse do diretor Airton Michels [do Departamento Penitenciário Nacional], em 2008, houve apenas uma reunião com secretários estaduais para tratar do sistema prisional, diz a nota.

Isso, continua o governo paulista, "acarretou na falta de articulação para barrar a expansão e nacionalização do crime organizado."

Fonte: Folha Poder - UOL - 18/10/2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010



Evento de fundamental importância para os profissionais da psicologia que atuam dentro do Sistema Penitenciário Brasileiro.

Afinal, a psicologia está "a serviço da repressão ou da garantia de direitos"?

Qual a psicologia que temos e a psicologia que queremos ?!... a psicologia da transformação social ou aquela outra da "rotulação", do "etiquetamento" e da manutenção do "status quo" ?!
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