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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Minas avança na humanização do sistema prisional


22/01/2009

Quando as 39 mães e seus bebês e as seis grávidas, atualmente acauteladas no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto (PIEP), chegaram ao Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade, inaugurado nesta quarta-feira (21), em Vespasiano, Região Metropolitana de Belo Horizonte, encontraram um ambiente que em nada lembra uma unidade prisional. No lugar de celas, grandes quartos com camas, berços e até alguns “mimos” como shampoos, sabonetes e hidratantes infantis. Consultórios dentários, pediátricos e ginecológicos também estão montados e com profissionais a postos, além de analistas técnico-jurídicos, psicólogos e assistentes sociais.
O secretário de Estado de Defesa Social, Maurício Campos Júnior, destacou a importância de se ter um modelo prisional diferenciado, trabalhando a perspectiva de ressocialização e humanização da execução da pena. “Privá-las de liberdade e fechar os olhos à suas peculiaridades é algo que a Defesa Social de Minas Gerais e o Governo de Minas não pretendem fazer”, declarou.

Ele comparou a inauguração do Centro a um “parto”, levando-se em conta todos os desafios vencidos para que ele se tornasse realidade. A unidade era um projeto que vinha sendo acalentado há alguns anos, inclusive por ex-secretários como o atual vice-governador Antonio Augusto Anastasia. Com o crescente fenômeno da taxa de encarceramento feminina, especialmente a partir de 2007, foi necessário unir esforços e buscar parceiros. “A prisão de mulheres leva à desagregação familiar maior que a de homens, o que trás reflexos para toda a sociedade e isso também nos preocupava”, explicou o secretário.

O subsecretário de administração prisional, Genilson Zeferino, disse que a iniciativa era muito mais do que uma prestação de contas à sociedade, uma vez que todas as pessoas envolvidas tiveram uma surpreendente sensibilidade e se empenharam bastante. O Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade vai abrigar detentas grávidas a partir do 7º mês de gestação ou que ainda tenham a guarda dos filhos.

Sem grades

O presídio não possui grades, tornando o ambiente mais propício à presença de crianças. O espaço de 4 mil metros quadrados, onde antes funcionava uma clínica, passou por reformas e foi adaptado para proporcionar um contato mais próximo, terno e saudável entre mães e filhos. No galpão dos fundos da casa, lê-se a célebre frase da escritora Cecília Meireles: “Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta; não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”. E é lá que vão funcionar oficinas profissionalizantes, atividades lúdicas e também onde deverá ser instalada a brinquedoteca para as crianças.

Única unidade prisional do país em que todas as agentes penitenciárias são técnicas em enfermagem, o local contará também com uma equipe multidisciplinar, formada por uma pediatra, ginecologista, dentista, psicólogas, assistentes sociais, terapeuta ocupacional e analista técnico jurídico.

“Queremos estimular o vínculo entre mãe e filho e usar isso como incentivo à ressocialização. Quanto mais ligadas à criança, mais vontade de sair para dar continuidade à sua criação elas terão”, afirmou a pediatra do Centro de Referência, Rúbia de Souza Teixeira. “A permanência das crianças com a mãe é fundamental, além de somar no processo de ressocialização das detentas”, completou. A equipe de saúde tem ainda outro desafio: preparar as detentas emocionalmente para o momento da separação. “Triste vai ser, mas temos que garantir que não seja traumático. As mães tem de ter a certeza de que os bebês estarão bem e seguros”, afirmou.

Futuro melhor

Grávida de nove meses, Taciane Pereira Vaz gostou do novo endereço. “É como se minha vida começasse a mudar de verdade agora. Aqui vamos ter toda assistência. Sinto como se me dessem uma chance para um futuro melhor”, disse a detenta abrigada pelo Centro. O subsecretário Genilson Zeferino considera o Centro de Referência um marco no aprisionamento de mulheres. “O que vamos fazer aqui é uma evolução do que desenvolvíamos na Penitenciária Estevão Pinto, onde mães e bebês ficavam antes desta inauguração.

A grande diferença está na equipe técnica, especificamente treinada na área de saúde, e no ambiente, menos pesado que o de uma prisão convencional. Com isso, demos um salto no que diz respeito ao acautelamento de gestantes”, ressaltou.
A formação técnica das agentes penitenciárias possibilita pronto atendimento em casos de emergência e demandas de pré e pós parto e cuidados com o recém-nascido, amamentação, cura do umbigo e doenças de menor gravidade em crianças até um ano.

A exemplo das outras 83 unidades administradas pela Seds, o Centro de Referência também vai oferecer atividades profissionalizantes, dentre elas a fabricação de fraldas, móveis de bambu e outros produtos artesanais.

A notícia agradou a detenta Mariela Alves Mendes: “Além de cuidar dos nossos filhos, vamos poder trabalhar. Essa experiência profissional vai me ajudar a conseguir um emprego quando eu sair daqui. Então, vou fazer faculdade e dar um futuro melhor para minha filha”, planeja.

Hoje, 1.827 detentas cumprem pena em unidades administradas pela Seds, 20 grávidas com menos de sete meses de gestação, seis com mais de sete meses e outras 39 com filhos ainda sob sua guarda.
Para a nova unidade, serão transferidas 39 mães e filhos e seis grávidas. As detentas em outros estágios de gestação, que já estão no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto (em Belo Horizonte), permanecerão nesse local.

Será estabelecida uma programação regular de atividades lúdicas e educativas para as crianças, proporcionando-lhes um início de vida alegre, que em nada lembre um ambiente de privação de liberdade. O bebê poderá ficar com a mãe até completar um ano. Após esse período, a Justiça decidirá sobre a guarda da criança.

Um técnico jurídico e uma assistente social já iniciaram os trabalhos de revisão dos processos das detentas que ficarão no Centro, verificando a possibilidade de progressão de regime (do fechado para o semiaberto e aberto) e outras demandas nessa área, como pedidos de pensão e teste de DNA.


Fonte: Secretaria de Estado de Defesa Social/MG

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Consórcio apresenta proposta para construir complexo penitenciário na RMBH

Belo Horizonte (19/12/2008) - O Governo de Minas, por meio das Secretarias de Estado de Desenvolvimento Econômico (SEDE) e de Defesa Social (SEDS), sob a coordenação da Comissão Especial de Licitação, deu mais um passo, na tarde desta sexta-feira (19), visando à construção e gestão de um complexo penal na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) com capacidade para três mil vagas prisionais. O projeto integra o Programa de Ampliação e Modernização do Sistema Prisional e traz inovações no modelo de gestão penitenciária.

Dentro do processo de pré-qualificação dos interessados em participar do empreendimento mediante o regime de Parceria Público-Privada (PPP), a Comissão de Licitação recebeu o envelope com a proposta do Consórcio GPA – Gestores Prisionais Associados, constituído pelas empresas CCI – Construções S/A, Construtora Augusto Velloso S/A, Empresa Tejofran de Saneamento e Serviços Ltda, N.F Motta Construções e Comércio Ltda e Inap – Instituto Nacional de Administração Prisional Ltda.

Os envelopes rubricados pela Comissão contêm a proposta econômica e habilitação e agora a próxima etapa do processo consiste no julgamento interno da pré-qualificação, cujo resultado será publicado no “Minas Gerais”, o Órgão Oficial do Estado. Para que o consórcio seja aprovado, a documentação necessita estar de acordo com os termos do Edital SEDS n° 001/2008, de julho último. Qualquer falha na documentação implica a desclassificação do consórcio e a licitação ficará sem efeito.

As empresas que integram o consórcio declararam que já possuem experiência em administração prisional, segurança, ressocialização e construção de unidades penitenciárias. No momento, trabalham em regime de co-gestão com as prisões de Viana e Colatina, no Espírito Santo.

PRESÍDIO DIFERENTE - O Complexo Penal da Região Metropolitana de Belo Horizonte deverá ser construído na Zona Norte do município de Ribeirão das Neves e o contrato terá vigência de 27 anos, sendo dois dedicados à construção dos prédios e o restante à sua operação. Durante a fase de construção deverão ser gerados mais de 500 postos temporários de trabalho. Na fase de operação estima-se que o complexo demande a criação de cerca de 1.500 novos postos de trabalho.

O seu maior objetivo é aliviar a pressão existente hoje sobre o sistema carcerário, com a criação de três mil vagas para sentenciados do sexo masculino que cumprem pena nos regimes fechado e semi-aberto. O processo de licitação prevê que o participante apresente o projeto arquitetônico para o complexo, observando os critérios mínimos definidos no edital e na Lei de Execução Penal (LEP).

O parceiro privado também ficará responsável pelo financiamento e construção da obra e pelo plano de manutenção e sua execução pelo período de vigência do contrato. Será responsável pela operação dos serviços previstos no contrato, que incluem atividades educativas e de formação profissional, fornecimento de refeições, tratamento de saúde, atendimento psicológico e assistência jurídica aos presos.

Ficará responsável, ainda, por desenvolver todas essas atividades dentro de elevados padrões de operacionalidade e adequada gestão dos internos, otimizando o uso dos recursos públicos e contribuindo para aumentar a taxa de reintegração social dos sentenciados. Itens como higiene, iluminação, segurança, programas de ressocialização de presos, incluindo a educação e o trabalho, por exemplo, serão periodicamente avaliados.

O projeto não prevê a transferência da gestão da segurança para o concessionário. Toda intervenção coercitiva junto aos internos permanecerá sob a responsabilidade do Estado. Os agentes de monitoramento contratados pela concessionária para acompanhar as atividades internas do complexo não poderão usar armas. Permanecerá sob a responsabilidade do Estado o transporte dos sentenciados e a segurança externa e das muralhas. Um agente público será nomeado diretor das penitenciárias e ficará encarregado pela coordenação e pelas medidas de segurança das unidades.


Fonte: Governo de Minas Gerais - Secretaria de Desenvolvimento Econômico

domingo, 18 de janeiro de 2009

Lula sanciona interrogatório por videoconferência

Brasília, 09/01/09 (MJ) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou nesta quinta-feira (08) o Projeto de Lei 11.900/09, que altera o Código de Processo Penal e permite o uso de videoconferência ou outro recurso de transmissão de sons e imagens em tempo real, em situações excepcionais, para interrogatório de réus presos. A videoconferência poderá ser usada quando houver risco à segurança pública, no caso de réu que comprovadamente integre organização criminosa, ou quando existir dificuldade para que o preso compareça em juízo - enfermidade, por exemplo.

O projeto, fruto de negociação entre o Ministério da Justiça, o governo de São Paulo e o Congresso Nacional, permite ao juiz interrogar o réu preso, em sala própria, no próprio presídio (ou outro estabelecimento penal). Mas desde que “garantidas a segurança do juiz, do membro do Ministério Público (MP) e dos auxiliares, bem como a presença do defensor e a publicidade do ato”.

Para zelar pela segurança do depoimento, a sala reservada no estabelecimento prisional para a realização de atos processuais por sistema de videoconferência será fiscalizada pelos corregedores e pelo juiz de cada causa, além do Ministério Público (MP) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Pedro Abramovay, esclarece que o juiz tem de ir ao presídio para interrogar o preso e que o novo sistema só pode ser usado se não comprometer a defesa do réu.

A nova modalidade de depoimento poderá ser usada, ainda, para impedir que o réu intimide uma testemunha, para “responder a gravíssima questão de ordem pública”, ou quando for necessário ouvir uma testemunha de outra comarca. A proposta também preserva o direito de o preso conversar previamente com seu defensor por canais reservados de comunicação.Abramovay lembrou que entre os benefícios imediatos da nova lei está a economia para os cofres públicos e até o conforto do detento, que muitas vezes tem que se deslocar para outro estado para depor em sua comarca.


Fonte: Ministério da Justiça

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

CNJ e STF lançam programa para reinserção de presos no mercado de trabalho

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF) lançaram, na segunda-feira (29/12), o programa "Começar de Novo", que busca sensibilizar a população para a necessidade de reinserir, no mercado de trabalho e na sociedade, presos que já cumpriram suas penas. Emissoras de rádio e TV de todo o país divulgam gratuitamente a campanha institucional do projeto, que permanecerá no ar por dois meses.

A iniciativa, conduzida pelo CNJ, reúne uma série de medidas para dar mais efetividade às leis de execução penal e mudar a realidade da situação prisional no país. As ações incluem a realização de mutirões carcerários para avaliar a situação de presos em relação ao cumprimento da pena, e convênios com entidades como Sesi, Senai e Fiesp, para possibilitar o treinamento e a capacitação dos presos, visando à recolocação profissional.

Os mutirões reúnem juízes, representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública e servidores de tribunais, que analisam diversos processos a fim de proporcionar aos presos a progressão de regime de cumprimento de pena ou mesmo a soltura, quando cumprida a pena. Esse trabalho, já realizado pelo CNJ nos estados do Rio de Janeiro, Piauí, Pará e Maranhão, propiciou a liberdade de mais de mil presos. “Isso significa mais ou menos a população de três presídios de médio porte, verificando, portanto, pessoas que estavam presas em situação irregular”, ressalta o presidente do Conselho e do STF, ministro Gilmar Mendes.

No âmbito do programa, também está prevista a criação do sistema "Bolsa de Vagas", para centralizar no CNJ a oferta de postos de trabalho por parte de empresas que se disponham a engajar-se no projeto. O Conselho Nacional de Justiça encaminhará as informações sobre as vagas disponíveis às Varas de Execução Criminal existentes nos estados.

Reinserção

Para dar o exemplo, a Corte Suprema assinou, neste mês, um convênio com o governo do Distrito Federal em que se propõe a receber, a partir de 2009, 40 pessoas sentenciadas, egressas de prisões. Os sentenciados trabalharão de seis a oito horas dando apoio administrativo ao Tribunal, por até um ano cada. Pelo serviço ganharão de R$ 550 a R$ 650, vale transporte e auxílio alimentação. Os candidatos à ressocialização necessariamente deverão estar cumprindo pena em regime semi-aberto, condicional ou domiciliar.

Recomendação

Também para incentivar a participação de outros órgãos em iniciativas semelhantes, o CNJ aprovou a Recomendação nº 21, sugerindo que os tribunais mobilizem-se em ações de recuperação social de presos, alertando para a necessidade de medidas concretas de capacitação profissional aos egressos do sistema prisional. O documento prevê o aproveitamento de mão-de-obra para serviços de apoio administrativo, no Poder Judiciário, por meio de convênios com as secretarias de Estado, responsáveis pela administração carcerária, como foi feito no STF.

Campanha

Produzido pela Fundação Padre Anchieta e veiculado gratuitamente pelas emissoras, o material da campanha de divulgação do “Começar de Novo” - dois filmetes e um spot para rádio de 30 segundos cada - mostra a necessidade de deixar de lado o preconceito. “Dê uma segunda chance para quem já pagou pelo que fez. Ignorar é fácil, ajudar é humano” é a mensagem de uma das peças.

A outra retrata a saída da prisão de um personagem, Marcos, após cumprir a pena, e lança um desafio: “O projeto 'Começar de Novo', do CNJ, está dando liberdade para muitos brasileiros, como o Marcos. E você, vai atirar a primeira pedra ou vai ajudar?”

A campanha institucional pode ser veiculada pelas emissoras de rádio e televisão interessadas em apoiar o programa. As peças estão disponíveis para download no site do CNJ.
Hoje o Brasil possui aproximadamente 440 mil presos.


Fonte: Associação Pela Reforma Prisional

STF abre 100 bolsas de estágio destinadas a estudantes e sentenciados

O Ministro Gilmar Mendes sugere: “Se o STF pode fazer, outros também podem”.


Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008 -

O Supremo Tribunal Federal e o Governo do Distrito Federal firmaram um convênio, nesta quarta-feira (17), no qual a Corte se propõe a receber para estágio, a partir do ano que vem, 40 pessoas sentenciadas egressas de prisões e 60 estudantes matriculados no ensino médio em escola pública do DF.Na opinião do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, o Tribunal avança ao permitir que direitos constitucionais sejam colocados em prática. “Essas duas iniciativas se alicerçam em dois fundamentos da República Federativa do Brasil, a dignidade da pessoa humana e o direito ao trabalho”, citou na cerimônia de assinatura dos convênios, que teve a presença dos ministros Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski e Carlos Alberto Menezes Direito e ainda do governador do DF, José Roberto Arruda.

Os sentenciados trabalharão de seis a oito horas dando apoio administrativo ao Tribunal, por até um ano cada. Pelo serviço, ganharão de R$ 550 a R$ 650, vale transporte e auxílio alimentação. Os candidatos à ressocialização necessariamente deverão estar cumprindo pena em regime semi-aberto, condicional ou domiciliar. Programas semelhantes já foram implantados em outros órgãos públicos do DF.

Segundo o diretor executivo da Fundação de Amparo ao Presidiário (Funap), Brás Justino da Costa, 900 sentenciados são lotados em órgãos públicos e empresas privadas – todos ligados a programas de reinserção social. Na cerimônia, o governador Arruda ressaltou que tanto os adolescentes quanto os sentenciados serão beneficiados no período que passarão no STF. “O convívio trará motivação e aprendizagem, e pode ajudar a baixar o índice de evasão escolar do DF”, comentou. Ele destacou que, ao receber essas pessoas, o Supremo exerce responsabilidade social e traz uma enorme mudança na vida de uma centena de famílias por ano.


Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública
http://www.forumseguranca.org.br/praticas/stf-abre-100-bolsas-de-estagio-destinadas-a-estudantes-e-sentenciados
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