Mais uma vez o Sistema Prisional mineiro se vê às voltas com uma tragédia ! Diga-se de passagem, uma tragédia anunciada ! Depois dos lamentáveis episódios de Ponte Nova (25 mortos), Rio Piracicaba (08 mortos) e Arcos (03 adolescentes mortos), agora foi a vez do Ceresp, localizado no bairro gameleira em Belo Horizonte, arder em chamas e vitimar gravemente 05 detentos !
Com capacidade para abrigar 404 presos, o Ceresp/Gameleira abriga atualmente cerca de 1.200 detentos, entre presos provisórios e sentenciados !
E ainda afirmam que no Brasil não existe pena de morte ! Será mesmo ?!
Rodrigo X Silva
Presos queimados na cela
Fonte: Estado de Minas - Publicado em: 19/08/2008
Incêndio no Ceresp da Gameleira, na Região Oeste de BH, fere cinco detentos, internados em estado grave no pronto-socorro. Ministério Público vistoria prisão e investiga causas.
Glória Tupinambás
Familiares foram ao presídio ontem à noite em busca de informações sobre as vítimas. Promotor Joaquim Miranda conversou com internos de celas vizinhas Um incêndio no Centro de Remanejamento de Segurança Prisional (Ceresp), do Bairro Gameleira, na Região Oeste de Belo Horizonte, deixou cinco presos gravemente feridos, no fim da tarde de ontem. Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), um dos detentos da cela 111 teria posto fogo nos colchões e as chamas se alastraram rapidamente, sendo controladas pelo Corpo de Bombeiros antes de atingir outras dependências do presídio. As cinco vítimas foram socorridas no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, com sério risco de morte, devido a queimaduras em mais de 80% do corpo. Uma equipe do Ministério Público Estadual (MPE) vistoriou o Ceresp no início da noite e descartou a hipótese de o episódio estar ligado à superlotação do local, que tem capacidade para 404 detentos, mas abriga 1.170. “A informação que temos é de que um dos presos pôs fogo nos colchões para chamar a atenção. A cela é até espaçosa e recolhia apenas cinco pessoas. Conversamos com os internos vizinhos da 111 e eles contaram que vários detentos gritaram para alertar sobre o risco de o incêndio sair do controle e todos morrerem. Vamos apurar a responsabilidade pelo fato, que pode caracterizar tentativa de homicídio, se tiver sido provocado por uma única pessoa, ou até tentativa de auto-extermínio, se houve um consenso entre o grupo”, disse o promotor Joaquim Miranda, do Centro de Apoio Operacional Criminal do MPE. Os cinco presos da cela 111 são Moisés dos Santos Xavier, Danilo Andrônico Ribeiro, Rogério Gonçalves Ribeiro, Leandro Rodrigues de Souza e João Rodrigues de Souza. De acordo com o promotor Miranda, eles são presos provisórios que aguardam a sentença judicial. Dois respondem a processo por assalto a mão armada; outros dois, por tráfico de drogas; e o quinto, por porte ilegal de arma. “Eles estavam numa cela de seguro aguardando condenação”, acrescentou o promotor. Segundo a Seds, a Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi) abriu sindicância para apurar o fato e a Polícia Civil ficará responsável pelo inquérito sobre o caso.
TRAGÉDIAS: O incêndio de ontem no Ceresp por pouco não tomou as proporções da tragédia ocorrida há um ano, na Delegacia de Ponte Nova, na Zona da Mata. Em 23 de agosto de 2007, 25 presos morreram carbonizados na cadeia, que abrigava 173 pessoas em 12 celas. A chacina teria sido resultado de uma briga entre duas gangues, que disputavam o poder dentro do presídio. Um dos grupos teria arrombado as grades de duas celas e, com um revólver, encurralado os presos na cela 8. Em seguida, pôs fogo nos colchões e as chamas de alastraram. Em 1º de janeiro deste ano, outra chacina chocou o país. Dessa vez, oito presos morreram durante um incêndio na cela da cadeia de Rio Piracicaba, no Vale do Aço. Segundo a Polícia Civil, os próprios detentos teriam posto fogo no local. No fim de junho, três adolescentes, de 14, 15 e 18 anos morreram queimados na cadeia de Arcos, na Região Centro-Oeste de Minas. A suspeita é de que um deles teria incendiado um colchão em protesto, já que seria transferido para outra cela.


Um comentário:
Sindicância apura incêndio no Ceresp
Fonte: Estado de Minas
Publicado em: 20/08/2008
Movimento de policiais na prisão foi intenso na noite de segunda-feira
Continuam internados em estado grave no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS), em Belo Horizonte, os cinco detentos queimados, na tarde de segunda-feira, numa cela do Centro de Remanejamento de Segurança Pública (Ceresp), no Bairro Gameleira, na Região Oeste da capital. Três das vítimas são presos provisórios e aguardam julgamento. Um deles, Danilo Andrônico Ribeiro Filho, de 35 anos, teve 60% do corpo queimado. Todos sofreram ferimentos de terceiro grau, sendo atingidos principalmente no tórax, braços e no rosto, além de queimaduras nas vias aéreas por inalação de fumaça. Eles estão entubados, correndo risco de morte.
As outras vítimas são Leandro Rodrigues de Souza, de 25anos, que teve 38% do corpo queimado; João Rodrigues de Souza, de 31, com 20% do corpo queimado; o acusado de tráfico Moisés dos Santos Xavier, de19, com 20% do corpo queimado, os três no CTI do setor de queimados. Suspeito de assalto e tráfico, Rogério Gonçalves Pereira, de 22, com queimaduras em 35% do corpo, está em recuperação no bloco cirúrgico. As vítimas passaram por uma sessão de debridamento, que é a limpeza das feridas e colocação de curativo.
Segundo informações do Ceresp, os presos estavam na cela 111, que é uma das seis usadas para castigo e triagem. Durante o banho de sol, as vítimas ultrapassaram uma faixa de segurança no pátio, não obedecendo ordens dos agentes e fazendo brincadeiras, motivo do recolhimento deles. Há informações ainda de que um dos detentos, que tem problemas mentais, teria provocado o incêndio.
Ontem, a Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi), da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), divulgou nota informando que um procedimento interno investiga as causas e circunstâncias do episódio. “A Polícia Civil e o Ministério Público também abriram investigação. As primeiras informações dão conta de que um dos cinco detentos colocou fogo nos colchões. Com cinco ocupantes, a cela tinha capacidade para oito. O incêndio foi controlado pelo Corpo de Bombeiros e agentes penitenciários da unidade antes de atingir outras dependências do Ceresp”, revela a nota.
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